
Segundo líder europeu a visitar a Casa Branca esta semana, o premier britânico, Keir Starmer, se reuniu nesta quinta (27), com o presidente dos EUA, Donald Trump, para tentar convencê-lo a não abandonar a Ucrânia.
O objetivo central de Starmer foi o mesmo do francês Emmanuel Macron, que passou por Washington na segunda-feira (24): o governo americano precisa garantir o cessar-fogo, para que a Rússia não retome a guerra.
Em conversa com a imprensa, após a reunião, Trump reiterou que seu plano de paz deve passar pela Rússia, responsável pela invasão, em 2022, mas disse acreditar que a maior garantia é a "palavra" do presidente russo, Vladimir Putin.
— Acho que ele manterá sua palavra. Já conversei com ele. Eu o conheço há muito tempo — disse Trump.
— Não acredito que ele volte atrás na sua palavra.
Starmer, no entanto, insistiu que era importante obter garantias dos EUA de que a paz seria mantida.
— Se houver um acordo, precisamos ter certeza de que é um acordo duradouro, que não é temporário — afirmou.
O premier britânico disse ainda que está pronto para enviar tropas à Ucrânia, para garantir o acordo de paz - uma ideia que a Rússia já rejeitou.
Para seduzir o presidente americano, Starmer chegou à Casa Branca com uma promessa e um convite. Primeiro, ele convidou Trump para uma visita ao Reino Unido e entregou uma carta do rei Charles, para que ele fizesse antes uma escala na Escócia para um jantar de gala com a monarquia.
— Ele é um grande cavalheiro — disse o presidente, se referindo ao rei.
Gastos
A promessa, que também soou como música para os ouvidos do presidente, foi aumentar os gastos militares britânicos, de 2,3% do PIB para 2,5%, em 2027, até atingir 3%, em 2029 — desde o primeiro mandato, Trump pressiona os países da Otan a aumentarem os gastos com defesa.
Apesar da troca de elogios e de gentilezas diplomáticas, Starmer voltou a Londres sem garantias concretas dos EUA com relação à Ucrânia. Quando questionado sobre o assunto, Trump se referiu ao acordo para a exploração de minerais, que o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, deve assinar hoje em Washington — o tratado dará aos americanos o direito de extrair titânio, lítio, gás, petróleo e elementos de terras raras da Ucrânia. Para Trump, seria uma forma de retribuição pela ajuda americana nos três anos de guerra.
— O acordo será importante, porque estaremos dentro do país (Ucrânia). Acho que ninguém vai se aventurar lá, se estivermos com muitos trabalhadores, explorando terras raras e outros minerais dos quais precisamos — declarou o presidente americano.
Assessores de segurança nacional da Casa Branca e funcionários do governo, no entanto, disseram ontem — antes do encontro entre Trump e Starmer — que a parceria econômica com os ucranianos não inclui nenhuma garantia específica de financiamento para a guerra. O acordo de minerais também não implicaria o envio de americanos para a região.
Segundo a última minuta do acordo, os dois países receberiam 50% de "todos os rendimentos da futura monetização dos recursos naturais". Trump chegou a mencionar que o valor seria perto de US$ 500 bilhões — bem mais do que os US$ 100 bilhões que o país enviou à Ucrânia.
Mistério
No entanto, o que os EUA de fato ganharão é um mistério. Segundo fontes do governo ucraniano, citadas pelo site Politico, o valor dos depósitos de minerais tem como base pesquisas da era soviética, realizadas nos anos 80. As informações são incompletas e os relatórios foram lacrados desde que Zelenski impôs a lei marcial, no início da guerra.
O Serviço Geológico Ucraniano (UGS) estima que o custo de exploração das 10 maiores jazidas da Ucrânia seja de US$ 15 bilhões, incluindo a construção de minas, pedreiras e instalações de processamento. O depósito de Novopoltasvke, um dos maiores do país, exigiria investimento de US$ 300 milhões. Um relatório da UGS afirma que o local é "difícil" de explorar, em razão dos riscos de inundação e deslizamento de terra.