Índia e União Europeia (UE) querem alcançar um acordo de livre comércio até o final do ano, afirmou nesta sexta-feira (28) o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, após uma reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
"Pedimos às nossas equipes que trabalhem na conclusão de um acordo de livre comércio que beneficie ambas as partes até o final deste ano", disse Modi aos jornalistas.
O anúncio coincide com as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que advertiu os principais parceiros comerciais de que aumentará as tarifas sobre seus produtos.
Na quarta-feira, o chefe de Estado americano anunciou que vai impor tarifas de 25% em geral sobre os produtos da UE.
O bloco dos 27 é o maior parceiro comercial da Índia, com quase 129 bilhões de dólares (752 bilhões de reais) em transações de mercadorias em 2023, ou seja, mais de 12% do total do comércio indiano, segundo Bruxelas.
Um mercado em expansão que oferece oportunidades cruciais para a Europa, mas que continua protegido por tarifas elevadas. O valor representa apenas 2,2% do comércio de mercadorias da UE.
O bloco deseja que a Índia abra seu mercado para seus automóveis - um setor que poderia ser muito impactado pelas tarifas de Trump nos Estados Unidos - e para seu álcool.
A Índia quer vender com mais facilidade seus produtos têxteis e medicamentos no continente europeu.
Nova Délhi também deseja que Bruxelas conceda mais vistos aos seus cidadãos.
As negociações foram retomadas em 2022, mas ficaram praticamente estagnadas desde então.
Antes da reunião com Modi, Von der Leyen também expressou sua vontade de "acelerar" as conversações.
"Sei que não será fácil. Mas também sei que o tempo e a determinação contam e que esta parceria chega em um bom momento para ambas as partes", afirmou Von der Leyen durante um discurso.
* AFP