O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou nesta sexta-feira (28) que os amplos cortes nos gastos com ajuda externa dos Estados Unidos e nas contribuições para as agências do organismo internacional, promulgados pelo presidente Donald Trump, vão contra os interesses de Washington.
"A redução do papel e da influência humanitária dos Estados Unidos irá contra os interesses americanos a nível global. Só posso esperar que essas decisões possam ser revertidas com base em revisões mais cuidadosas", disse Guterres a jornalistas.
As agências das Nações Unidas, juntamente com as ONGs de ajuda, receberam avisos de cortes profundos no financiamento americano nas últimas 48 horas, disse Guterres, cumprindo assim Trump as promessas de campanha de reduzir os gastos federais.
Os Estados Unidos são, de longe, o maior contribuinte individual do orçamento da ONU.
Segundo Guterres, "de Gaza ao Sudão, Afeganistão, Síria e Ucrânia", áreas que registraram importantes conflitos ou situações complexas, o financiamento americano "apoia diretamente as pessoas que vivem em guerras, fomes e desastres, proporcionando-lhes atendimento de saúde essencial, abrigo, água, alimentos e educação".
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira que havia reduzido os contratos de ajuda multianuais em 92%, buscando economizar cerca de 60 bilhões de dólares (R$ 350 bilhões) em programas humanitários e de desenvolvimento no exterior.
Trump assinou um decreto em janeiro, ao assumir o cargo, exigindo o congelamento por 90 dias de toda a ajuda externa americana para dar tempo à sua administração de revisar os gastos no exterior.
A medida foi vista como um passo para o desmantelamento de programas que não estão alinhados com a agenda "Estados Unidos em primeiro lugar".
Um juiz federal deu à administração Trump, na terça-feira, menos de dois dias para descongelar toda a ajuda ao exterior, depois que uma ordem judicial emitida quase duas semanas antes foi ignorada.
Mas o governo apresentou um pedido de emergência à Suprema Corte dos Estados Unidos, que emitiu uma suspensão administrativa da decisão na noite de quarta-feira, pausando a ordem do tribunal inferior.
* AFP