A britânica BP abandonou, nesta quarta-feira (26), uma estratégia climática outrora ambiciosa e anunciou um novo foco no investimento em petróleo e gás, na esperança de aumentar seus lucros em declínio e o retorno dos acionistas.
"Aumentaremos nossos investimentos e nossa produção (de hidrocarbonetos) para que possamos produzir energia de alta margem nos próximos anos" e "seremos muito seletivos em nossos investimentos na transição energética" (a mudança progressiva das fontes tradicionais de energia, como os combustíveis fósseis, para fontes mais sustentáveis e limpas, como as renováveis), disse o executivo-chefe da BP, Murray Auchincloss, em um comunicado.
A BP, que havia se destacado desde 2020 com um ambicioso plano de neutralidade de carbono, já havia recuado amplamente em suas metas climáticas nos últimos dois anos e disse em dezembro que queria reduzir "significativamente" seu investimento em energias renováveis.
Entre os anúncios detalhados em uma declaração nesta quarta-feira, o grupo diz que aumentará sua produção de hidrocarbonetos até 2030, quando anteriormente havia planejado uma redução de 25% em 2030 em comparação com 2019 (uma meta já revisada para baixo em 2023).
Ele também planeja aumentar seus investimentos em petróleo e gás para 10 bilhões de dólares (57 bilhões de reais) por ano, dois terços dos planejados para 2025, enquanto os reduz em seus projetos de transição em 5 bilhões de dólares (28,8 bilhões de reais) por ano (que agora representarão de 1,5 bilhão de dólares [8,6 bilhões de reais] a 2 bilhões de dólares [11,5 bilhões de reais] por ano).
A BP também anunciou que planeja se desfazer de ativos no valor total de US$ 20 bilhões até 2027, o que poderia incluir a possível venda de sua divisão de lubrificantes Castrol.
"Essa é a prova de que as empresas de combustíveis fósseis não podem ou não querem fazer parte das soluções para a crise climática", disse Charlie Kronick, conselheiro climático do Greenpeace do Reino Unido, após o anúncio da BP.
As medidas da BP ocorrem depois que a empresa sofreu uma queda de 97% nos lucros líquidos no ano passado.
A empresa está sob pressão de investidores que exigem grandes mudanças em sua estratégia, como o fundo Bluebell, que há mais de um ano vem pedindo que o grupo revise para baixo suas ambições "irracionais" em relação à energia limpa.
Nas últimas semanas, a imprensa também noticiou uma "grande" aquisição pelo fundo de investimentos Elliott Management, conhecido por exigir mudanças estratégicas nos grupos em que investe.
* AFP