Os Estados Unidos e Marrocos lançaram nesta segunda-feira (20) em Agadir (sul) o exercício militar "African Lion 2022", o maior do continente africano, num contexto de tensão regional com a Argélia.
As manobras anuais vão decorrer até 30 de junho em Marrocos, mas também na Tunísia, Senegal e Gana, informou o Comando dos Estados Unidos para a África (Africom).
Mais de 7.500 soldados de dez países, incluindo Brasil, Chade, França e Reino Unido, participam dos exercícios.
Observadores da Otan e cerca de 15 "países parceiros" também estarão presentes, incluindo Israel pela primeira vez.
"African Lion" visa "fortalecer nossas capacidades comuns de defesa para combater ameaças transnacionais e organizações extremistas violentas", detalha o comunicado do Africom.
O número dois do exército marroquino, o general Belkhir El Faruk, pediu nesta segunda-feira o enfrentamento dos "desafios de segurança".
Em Marrocos, os exercícios vão decorrer em Kenitra, perto de Rabat e em várias regiões do sul junto à fronteira com a Argélia, segundo o Estado-Maior das Forças Armadas deste país.
Tal como em 2021, o programa inclui disparos de artilharia no deserto, no Saara Ocidental, não muito longe de Tindouf, base dos separatistas saharauis da Frente Polisario na Argélia.
O Saara Ocidental, ex-colônia espanhola considerada "território não autônomo" pela ONU, se opõe há décadas ao Marrocos e à Frente Polisario, apoiada pela Argélia.
Os separatistas saharauis querem um referendo de autodeterminação, mas Rabat promove um plano de autonomia sob a sua soberania.
Sob o mandato do ex-presidente Donald Trump em 2020, os Estados Unidos reconheceram a soberania de Marrocos sobre este vasto território desértico.
Em troca, Marrocos e Israel retomaram suas relações diplomáticas.
Em contrapartida, a Argélia rompeu relações diplomáticas com Marrocos em junho de 2021, acusando Rabat de "atos hostis" e denunciando sua cooperação militar e de segurança com a "entidade sionista", referindo-se a Israel.
* AFP