O primeiro-ministro haitiano, Ariel Henry, denunciou neste sábado (11) "manobras de distração" na investigação do assassinato do presidente Jovenel Moise, após ter sido convidado a comparecer ao tribunal, informando que logo após o crime conversou por telefone com uma das pessoas procuradas.
"Manobras de distração para criar confusão e impedir que a justiça faça seu trabalho com calma não serão aprovadas", disse Ariel Henry.
"Os verdadeiros culpados, os autores intelectuais e os patrocinadores do assassinato hediondo do presidente Jovenel Moise serão encontrados, levados à justiça e punidos por seu crime", acrescentou.
Na sexta-feira à noite, Bed-Ford Claude, comissário do governo de Porto Príncipe - equivalente a promotor - convidou Henry para comparecer perante a promotoria na terça-feira. O oficial disse que, poucas horas após o assassinato de Moise, Henry conversou por telefone com uma das pessoas ativamente procuradas no contexto da investigação.
Joseph Félix Badio, ex-diretor da unidade anticorrupção do Ministério da Justiça, teria sido localizado no bairro onde fica a residência particular de Moise durante ligações feitas para Ariel Henry às 04H03 e depois às 04H20, no horário local.
Como já havia um juiz encarregado da investigação, o promotor não tem o poder de convidar ou convocar ninguém, mas justifica sua abordagem evocando a "extrema gravidade" desse processo "para a nação".
Legalmente, um primeiro-ministro só pode ser ouvido por um juiz se o presidente da república autorizar.
Em sua carta, Bed-Ford Claude especificou a Henry que sua apresentação à promotoria será voluntária, "levando em consideração as restrições devido a sua condição de alto funcionário público".
O escritório de proteção ao cidadão do Haiti declarou-se "indignado e perplexo" com a revelação desses telefonemas.
"Ariel Henry deve renunciar imediatamente e ser levado à justiça", disse Renan Hedouville, que dirige essa entidade pública, em uma carta no sábado.
Quarenta e oito pessoas, incluindo 18 colombianos e dois americanos de origem haitiana, foram presas como parte das investigações sobre o assassinato de Moise, morto a tiros em sua residência sem que nenhum dos membros de sua guarda particular tenha sido ferido.
* AFP