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A Justiça Eleitoral arquivou um pedido de cassação do prefeito e do vice-prefeito eleitos em Alegria, cidade de 3,2 mil habitantes no noroeste do Rio Grande do Sul. Esta solicitação para invalidar as eleições majoritárias naquele município tinha sido formulada pelo Ministério Público, após a divulgação de vídeos que mostram um candidato a vereador oferecendo dinheiro a eleitores para que votem em Fábio Schakofski (PSD) para prefeito e Elson Secconi (PP) para vice. Eles foram eleitos.
O candidato a vereador é Cláudio Vargas (PP), que não se elegeu. Os vídeos dele oferecendo dinheiro a dois eleitores motivaram o Ministério Público Eleitoral (MPE) a mover uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), no qual requisita a cassação do aspirante a vereador, do prefeito e do vice. Só que o próprio Ministério Público, agora, voltou atrás após examinar mais detidamente o caso e pediu desistência da ação.
Conforme nota do MPE, ocorreram vícios nas provas que sustentavam a acusação. A defesa do prefeito e do vice diz que os vídeos são armação feita por adversários políticos. A Justiça Eleitoral acatou e a AIJE foi extinta. Mas ainda tramita uma outra ação eleitoral, movida por um partido político adversário, que pede cassação de Schakofski e Secconi por compra de votos.
A Polícia Federal abriu inquérito nesta semana. O objetivo é verificar se o prefeito e o vice-prefeito de Alegria estão envolvidos criminalmente em corrupção eleitoral. Caso condenados, poderiam cumprir quatro anos de reclusão por "dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer vantagem, para obter ou dar voto". Essa investigação prossegue, independentemente do arquivamento da ação eleitoral.
Contrapontos
O que diz o prefeito de Alegria, Fábio Schakofski:
"A gente soube que isso são vídeos montados, criados pós-eleição. E a polícia, entrando no meio, vai chegar a quem mandou fazer essa armação. Não conversamos com o candidato a vereador Cláudio, até para não nos acusarem de constrangimento. Nunca pedimos compra de votos. Se ele fez, foi por iniciativa dele, não nossa. É uma montagem. Tem outras pessoas que não aceitaram resultado da eleição e disseram para testemunhas falarem contra nós. Quero ver provarem".
O que diz o vice-prefeito de Alegria, Elson Secconi:
"Estou bem tranquilo em relação a isso. O Cláudio não tem autorização nossa para pedir voto em troca de dinheiro. A comunidade fala que ele fez após eleição".
O que diz Cláudio Vargas:
A reportagem tentou na quinta-feira (27) contato com o candidato a vereador, mas ele não atendeu.