A funcionária da rede de farmácias São João confirmou em depoimento na quarta-feira (27), à Polícia Civil de Imbé, no Litoral Norte, que gravou um áudio divulgado na internet orientando que fossem contratadas apenas "pessoas bonitas". A investigação da delegacia local ainda não foi concluída e deve ser anexado ao inquérito uma sindicância interna da empresa sobre o caso.
O documento elaborado pela empresa revela que foi um fato isolado e que não houve contratação de novos funcionários nessas condições propostas. A Polícia Civil não repassa detalhes da investigação, principalmente sobre prazos e como a funcionária demitida será enquadrada legalmente, como por exemplo, pelo crime de homofobia, mas não descarta outros delitos. O nome dela não foi divulgado e, se condenada pela discriminação em relação à orientação sexual das pessoas, pode ter uma pena de dois a cinco anos de prisão.
O advogado da rede de farmácias, Ricardo Breier, diz que o resultado da sindicância deve ser repassado ao delegado Antônio Ractz, responsável pelo inquérito, no máximo na próxima semana.
A empregada já foi demitida e foi encaminhado para a delegacia local o aparelho celular funcional usado para repassar a mensagem. Segundo Breier, o diretor-jurídico da rede de farmácias depôs na última terça-feira (26), confirmando todas as informações obtidas pela apuração interna, além de se colocar à disposição dos investigadores.
Breier ainda ressalta que este episódio, apesar de isolado, tem causado grande prejuízo. Contudo, diz que o áudio repassado foi em um grupo de WhatsApp de apenas sete pessoas, todas já ouvidas. No áudio divulgado há algumas semanas, a funcionária dá orientações para que fossem evitadas pessoas gordas ou tatuadas, além de pessoas de orientação sexual abertamente LGBTQIA+.