No esforço para tentar reverter a crise política, a presidente Dilma Rousseff vai se reunir esta semana com os presidentes dos partidos aliados para recompor a base. A informação é do ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Edinho Silva, após reunião da coordenação política no Palácio da Alvorada, em Brasília.
Antecipado para a noite de domingo por conta da agenda da presidente, o encontro reuniu 13 ministros, o vice-presidente Michel Temer e os líderes do governo na Câmara (José Guimarães, do PT/CE) e do Congresso (José Pimentel, do PT/CE). O ministro disse que não houve debate sobre uma eventual reforma ministerial, mas assegurou que Dilma iniciará a bateria de reuniões com os líderes partidários já na noite desta segunda-feira, após compromissos no Maranhão.
Silva evitou dizer se o governo vai voltar a falar em pedidos para o parlamento não votar projetos que possam onerar as contas públicas e dificultar o ajuste fiscal.
O ministro avaliou como positiva a reunião, que durou cerca de duas horas e meia e foi marcada após uma semana de semana tensa do governo com a base aliada no Congresso.
- O sentimento majoritário é que não vamos permitir que interpretações ou utilização política, por alguns setores minoritários, no nosso entender, da própria base e da oposição que elas possam provocar ruídos ou dificultar a construção da governabilidade - disse.
De acordo como Edinho Silva, durante a reunião o vice-presidente Michel Temer, responsável pela articulação política do governo, foi enfático em defender o seu compromisso com a presidenta Dilma Rousseff e com a governabilidade.
- Todos reconhecem o papel de destaque que o vice-presidente Temer tem. Hoje, ele cumpre um papel fundamental na construção da governabilidade - acrescentou.
O ministro disse que o governo tem ciência das dificuldades que o país enfrenta, mas está certo que o Brasil superará os problemas na economia:
- Ninguém nega que estamos passando por dificuldades, mas elas serão superadas para que o Brasil, num curto espaço de tempo, possa voltar a crescer, gerar empregos, distribuir renda.
Segundo o ministro, a reunião serviu para avaliar o cenário político do país e a condução da base diante do cenário de dificuldades na economia e problemas enfrentados na articulação da base no Congresso Nacional.
- O sentimento majoritário é de unidade [política], vontade política para que a base se consolide o mais rápido possível _ disse Edinho Silva.
Na semana passada, durante a volta do recesso parlamentar, o Congresso retomou seus trabalhos com dificuldades entre o governo e parte da base aliada na votação de projetos que aumentam os gastos públicos, as chamadas pautas-bomba. O primeiro round da batalha foi a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 443/09 que vincula o salário da Advocacia-Geral da União (AGU), dos procuradores estaduais e municipais e dos delegados das Polícias Civil e Federal à remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O governo queria adiar a votação, para costurar um acordo com os líderes partidários e tentar construir uma alternativa à PEC que, segundo ele, prejudicaria as contas públicas da União, dos estados e dos municípios, em cerca de R$ 9,9 bilhões ao ano. Mas foi derrotado com o apoio de parte da base aliada. Na ocasião, o PDT disse que estava deixando a base e o PTB se declarou independente.
Nesta segunda-feira, Dilma retoma a agenda positiva do Planalto. Na capital maranhense, ela entregará unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida e participará da inauguração do Terminal de Grãos do Maranhão, no Porto de Itaqui.
PT sonda Lula para ministério de Dilma