
Com o objetivo de fomentar, valorizar e oferecer uma oportunidade de curso superior para atletas e ex-atletas de alto rendimento, universidades brasileiras estão implementando modalidades de ingresso dedicada a competidores esportivos. No Brasil, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) contam com iniciativas para este grupo.
As iniciativas se assemelham ao que é observado no modelo norte-americano, em que instituições destinam bolsas de estudo a alunos que se dedicam ao esporte. Os propósitos coincidem, já que visam manter e desenvolver talentos em diferentes áreas esportivas, pensando não apenas nas modalidades, mas também em questões de desenvolvimento pessoal e social.
Como funcionam
Em Santa Maria, a UFSM implementou o Processo Seletivo de Ingresso de Atletas de Rendimento (Piares) em 2024, a partir de uma proposição por parte da equipe do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD). Trata-se de uma seleção à parte do Vestibular tradicional, destinada apenas a esportistas, de todo o Brasil.
O projeto contempla:
- Atleta de rendimento em formação (potenciais talentos): candidatos com idade entre 16 e 23 anos, vinculados ou não a uma entidade federada das modalidades de futsal, atletismo, handebol e voleibol, que disputam competições da modalidade ou que disputaram nos últimos dois anos
- Ex-atletas de alto rendimento: candidatos que tiveram destaque internacional em qualquer modalidade esportiva reconhecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB)
— Pessoas que praticam esporte no alto nível tendem a se manter ligadas a sua modalidade mesmo após o término de suas carreiras como atleta, quer seja como técnico, preparador físico ou dirigente. Nesse sentido, é muito interessante oportunizar a estas pessoas um curso superior que vai fornecer conhecimentos técnicos e científicos para utilizarem nas suas carreiras pós-atletas — pontua Frederico Diniz Lima, coordenador do curso de Educação Física da UFSM.
As vagas, no entanto, não se concentram apenas às áreas ligadas à Educação Física. Em 2024, por exemplo, a instituição ofereceu 102 oportunidades em 53 cursos de graduação presenciais. Conforme a UFSM, as vagas para atletas são adicionais e não comprometem a oferta regular. A decisão de quantas disponibilizar em cada ano é do colegiado de cada curso, com limite máximo de 5% do total de vagas. Ou seja, podem variar de ano a ano.
O processo seletivo não possui prova de conhecimento mas, o atleta precisa atender alguns requisitos, como:
- ter concluído o Ensino Médio
- ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre 2020 e 2024
- comprovar a condição de atleta de alto rendimento, com documentos, vídeos ou declarações de suas respectivas federações ou confederações esportivas
Ao ingressar, o atleta garante acesso à equipe da sua respectiva categoria nas equipes da UFSM. Mas, segundo a instituição, não garante permanência.
Já no Mato Grosso do Sul, o processo seletivo é chamado de PRÓ-ATLETA – Atletas de Alto Rendimento Esportivo. A diferença está na abrangência das modalidades. As vagas são destinadas a candidatos com Ensino Médio que participaram com desempenho reconhecido em competições esportivas de abrangência estadual, nacional ou internacional, nos anos 2022, 2023 e 2024, em modalidades presentes nos Jogos Olímpicos, Paraolímpicos ou Universitários.
Os processos seletivos são implementados por cada universidade. Um dos desejos da instituição sul-mato-grossense é que essa política possa ser disseminada por todo o Brasil.
— O programa vem causando impacto entre os jovens que estão no Ensino Médio, despertando o interesse em manter-se nos esportes escolares que poderá leva-los ao ingresso no curso superior. Além disso, estamos fortalecendo a participação de jovens atletas do ensino público nos Jogos Universitários, que hoje tem predominância de instituições privadas — declara Edineia Ribeiro, diretora de Esporte e Lazer da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Esporte da UFMS.
Bolsas em universidades particulares
A oferta de bolsas de estudos para atletas em universidades particulares também tem sido ampliada. No Rio Grande do Sul, a Universidade de Passo Fundo (UPF) e a Universidade Feevale são exemplos de instituições com ações para esportistas.
A UPF conta com o apoio integral à equipe de voleibol da instituição, que em 2025 disputará a Superliga C nacional. As atletas recebem uma bolsa de 50% para os seus cursos.
Já a Feevale conta com o Programa Esporte Universitário, que destina bolsas de estudos a atletas selecionados em edital, como forma de incentivo à prática do esporte e à formação cidadã. Neste ano, serão oferecidas 116 bolsas de representação esportiva, com valor proporcional ao número de créditos em que o aluno estiver matriculado.
*Produção: Carolina Dill