Difícil é fazer qualquer previsão no Brasil. Ainda mais na área econômica, onde rumores, boatos ou anúncios concretos de determinado indicador podem bem mudar o humor do mercado em questão de minutos. Apesar disso e com o agravante do comportamento do dólar nas últimas semanas, a perspectiva, olhando do ponto de vista de quem quer viajar, comprar algum produto importado ou fabricado com componentes do Exterior, não é das melhores.
O Relatório Focus desta segunda-feira mantém inalterada a última cotação - R$ 2,45 no final do ano para US$ 1. Mas algumas corretoras têm estimativas mais preocupantes - já há quem fale em R$ 2,60 no final de 2014, R$ 2,50 no primeiro trimestre.
A razão? Sem grandes novidades neste campo. Primeiro, a retirada dos estímulos à economia norte-americana que, embora a nova direção do Federal Reserve tenha prometido que será cautelosa, traz temor aos demais países, que, de um jeito ou de outro, verão parte dos recursos hoje em seus mercados migarem para os EUA. Com isso, a alta da moeda é inevitável, já que haverá menos dinheiro circulando.
A própria estratégia de ação do Banco Central (BC) nos últimos meses confirma isso, apesar de sempre garantir que o Brasil está preparado para o novo momento, como bem lembra um economista especializado em acompanhamento de câmbio. E o BC tem um argumento a mais para agir: como a economia nacional ainda tem forte presença de importados, o repasse do câmbio nos preços é inevitável. O que aumenta a preocupação com a inflação.
Mas há fatores internos que pesam também neste dólar em curva ascendente, que estamos vendo há algumas semanas, e com a crescente saída de recursos daqui. Entre os principais, a preocupação com a política fiscal e com o risco de rebaixamento do rating do Brasil neste ano. Que se acontecer mesmo será uma péssima notícia para todos.