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Paracasoscia significa "parece um sopro". É uma expressão que resume os propósitos da companhia italiana de dança Botega no espetáculo que será apresentado nesta quarta-feira, às 19h, com entrada franca, no Theatro São Pedro.
A apresentação integra o Festival Palco Itália, realizado pela Associação Ponte entre Culturas dentro do projeto MIB - Momento Itália Brasil, promovido pela Embaixada da Itália. Com apresentação prevista para ontem em Curitiba, a turnê da trupe, a primeira pelo país, seguirá para Belo Horizonte no sábado.
O que o público terá a oportunidade única de assistir, gratuitamente, é um mix experimental de estilos que vão do circo ao hip hop, recheado de referências à ópera e à música erudita. O espetáculo propõe uma revisita ao rico patrimônio lírico italiano a partir de uma linguagem jovem, ao mesmo tempo enérgica e delicada.
Definido pelos seus autores como uma "brincadeira semisséria", Paracasoscia busca aproximar o público jovem do repertório de autores como Verdi e Rossini, como quem quer brincar com as tradições, mas afastando o peso do tempo, conforme seu coreógrafo, o diretor da companhia Enzo Celli.
Os ingressos podem ser retirados a partir das 13h na bilheteria do São Pedro. Outras informações sobre o Festival Palco Itália podem ser obtidas em festivalpalcoitalia.com.br.
Por e-mail, o coreógrafo e diretor da companhia Botega conta a ZH a gênese do espetáculo e seu propósito de aproximar a música erudita e a dança contemporânea das plateias mais jovens.
Zero Hora - Como surgiu a ideia de combinar danças populares com ópera?
Enzo Celli - Uma vez escutei o toque de celular de um rapaz, que era com a abertura da ópera Guilherme Tell, de Gioachino Rossini. Perguntei-me se aquele jovem sabia que música era aquela. Tive quase a certeza de que não, mas gostava dela. Daí veio a ideia de me utilizar de árias das óperas italianas como trilhas de um espetáculo da companhia. Seria uma forma de divulgar a ópera junto ao público jovem, por meio de uma linguagem mais leve e contemporânea.
ZH - O senhor acredita que o público jovem precisa redescobrir a ópera?
Celli - Paracasoscia tem quatro anos e foi apresentado na Alemanha, na França, na Rússia, nos EUA e na Palestina. Esta fusão de linguagens como hip hop, break e dança contemporânea com a música erudita desperta um entendimento universal, independentemente da língua do público e apesar de o espetáculo ser todo "made in Italy".
ZH - A dança contemporânea às vezes é tida como hermética, mesmo considerando que, sob este rótulo, há produções de diferentes tipos. É necessário desmitificar essa ideia e aproximar a dança contemporânea do público?
Celli - Sim! Paracasoscia tem esta intenção: pretende levar entretenimento, diversão e leveza, já que é um espetáculo que brinca com o tempo, trazendo a ópera para o cotidiano contemporâneo, desmitificando sua aura de seriedade. Os movimentos do break e do hip hop também colaboram com a modernidade do espetáculo. Então, o público fica surpreso com esta fusão, acredito, passando a gostar mais de dança e de ópera também.
Paracasoscia
Espetáculo da companhia de dança contemporânea Botega. Coreografia de Enzo Celli.
Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº).
Quarta-feira, 30/05, às 19h.
A apresentação integra o Festival Palco Itália. A entrada é franca (os ingressos podem ser retirados a partir das 13h na bilheteria do teatro).