
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
O presidente nacional do PT, senador Humberto Costa, afirmou que o governo federal vai abraçar o projeto de redução da jornada de trabalho e defender mudanças na escala 6x1. A estratégia faz parte da tentativa de impulsionar a popularidade do presidente Lula, rejeitado por 56% dos eleitores brasileiros conforme a última pesquisa Quaest.
— Apesar de o governo ainda não ter assumido totalmente isso como uma bandeira sua, isso vai acontecer. Acho que tem um poder de mobilização e também de atração da população — disse Costa nesta sexta-feira, em entrevista coletiva em Porto Alegre.
No Rio Grande do Sul para tratar do processo de eleição direta (PED) do PT, o senador pernambucano admitiu que o governo tem problemas de comunicação desde o início, já que não conseguiu traduzir redução do desemprego, aumento do PIB e programas sociais em maior taxa de aprovação.
— O governo não deixou muito claro para a população brasileira o que é que nós recebemos. A população está nos comparando com nós mesmos. Nós criamos uma grande expectativa para as pessoas, e acho que estamos correspondendo a essas expectativas, porém o que nós fizemos ao longo de dois anos foi muita coisa, e a gente não trabalhou um posicionamento que mostrasse o quanto isso representou — avaliou.
As principais apostas do governo para mudar o cenário de rejeição, segundo Humberto Costa, serão a defesa da mudança na escala 6x1 e o projeto de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil. Além disso, o petista projeta que as medidas adotadas para redução do preço dos alimentos comecem a surtir efeito nos próximos meses, com a expectativa de que a popularidade de Lula acompanhe o efeito no bolso dos brasileiros.
— A desoneração do Imposto de Renda, além de atingir uma população que é fortemente crítica em relação ao nosso governo, é algo que vai sustentar o crescimento econômico no nosso país, vai melhorar a vida dessas pessoas, que vão poder ter condição de consumir mais. A outra bandeira é a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários.
Cenário favorável ao PT
Na coletiva no diretório estadual do PT, Humberto Costa argumentou que Lula, mesmo com alta rejeição, aparece em primeiro nas pesquisas eleitorais. Mesmo assim, entende que a eleição de 2026 será "difícil, qualquer que seja o candidato".
— Tem uma parcela que é favorável ao Lula, é favorável ao PT e, mesmo que não esteja achando o governo maravilhoso neste momento, está disposta a continuar votando. Essa questão de que a esquerda só tem um candidato e a direita tem vários pode ser favorável para nós. Nós temos um candidato realmente forte, competitivo, que está no governo. Isso não é desvantagem para nós. Na direita, sem Bolsonaro, a possibilidade de eles se unirem é muito pequena — projetou Humberto Costa.
Ainda assim, o petista refuta a ideia de que o PT só tenha Lula como nome forte para disputar a reeleição e diz que, em caso de recusa do atual presidente, os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Educação, Camilo Santana, são alternativas para a corrida.

Foco no Senado
Com duas cadeiras disponíveis por Estado, o foco da eleição nacional de 2026 será a disputa pelo Senado. O ex-presidente Jair Bolsonaro entende que é necessário ampliar a representatividade da direita na Casa para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) com a possibilidade de impeachment dos ministros. Por isso, o PT entende que é necessário fazer um enfrentamento a tal posicionamento.
— Para nós, nacionalmente, a eleição de governador é importante. Nós temos quatro governos que queremos manter e queremos ampliar para outros Estados. Mas a eleição que realmente está no nosso foco e na nossa preocupação é a eleição do Senado. Nós vamos ter 54 vagas sendo disputadas agora. Se a extrema-direita consegue reeleger os 25 que vão disputar, bastaria que eles tivessem mais 16 para ter maioria. E mais 25 se eles quiserem ter os três quintos necessários para aprovação de emenda constitucional.
Mesmo assim, Humberto Costa avalia que é difícil conseguir enfrentar essa realidade, pois a tendência é que os Estados elejam um senador alinhado aos mais conservadores e outro que represente o campo progressista. No Rio Grande do Sul, o nome para a disputa deve ser do deputado Paulo Pimenta — que, presente na coletiva, se colocou à disposição para o pleito, mas afastou a decisão de nomes neste momento.
— Vamos tentar. Nomes com capacidade para fazer isso a gente tem. Nós precisamos aumentar não só a bancada do PT, mas a bancada do presidente. Nós recriamos o grupo de trabalho eleitoral e, em muitos lugares, a preocupação não vai ser necessariamente eleger petistas, mas eleger gente que componha uma bancada pró-Lula a partir de 2027. Eu vejo que no Rio Grande do Sul temos um cenário positivo — concluiu Costa.