
Era verão. Eu estava sentado na segunda fileira de um evento sobre tecnologia, o ar-condicionado tentando dar conta do calor e da expectativa. Na programação, um dos nomes mais esperados do dia era o de Sam Altman, CEO da OpenAI — até então uma empresa promissora, mas ainda cercada de desconfiança e mistério.
Sam entrou com a calma de quem não precisa provar mais nada, mas começou com uma frase que me pegou de surpresa:
“Se a gente acertar, essa será a tecnologia mais importante que a humanidade já criou.”
Achei ousado. E confesso: na hora, duvidei. Inteligência artificial era um termo repetido demais, com promessas demais. Mas o tempo passou, e hoje, vendo a nova rodada de investimentos que colocou a OpenAI na casa dos 300 bilhões de dólares em valor de mercado, percebo que ele não estava exagerando — só estava à frente.
A nova rodada que mexeu com o mercado
Em março de 2025, a OpenAI anunciou uma rodada histórica de investimentos: US$ 40 bilhões captados, com liderança do SoftBank e participação de Microsoft, Thrive Capital, Coatue e outros players estratégicos. A nova avaliação? US$ 300 bilhões.
Esse movimento posiciona a OpenAI como uma das empresas mais valiosas do mundo — e talvez a mais influente na nova economia digital movida por inteligência artificial.
O que o Google foi para a internet, a OpenAI está sendo para a IA
Nos anos 2000, se você queria encontrar qualquer coisa, você “dava um Google”. Hoje, se você quer entender, resumir, criar, escrever, programar ou decidir... você pergunta ao ChatGPT.
A OpenAI está se tornando a nova interface de acesso ao conhecimento, mas com uma diferença crucial: o Google organizava links. A OpenAI gera respostas, soluções e até ideias. Isso muda tudo.
Como tudo começou
Fundada em 2015 por nomes como Sam Altman, Elon Musk, Greg Brockman e Ilya Sutskever, a OpenAI nasceu como uma organização sem fins lucrativos com uma missão clara: desenvolver inteligência artificial de forma segura e amplamente benéfica para a humanidade.
Nos primeiros anos, a empresa lançou ferramentas como o OpenAI Gym e o Universe. Em 2019, mudou sua estrutura para um modelo de “lucro limitado” para atrair investimentos, e firmou uma aliança estratégica com a Microsoft, que injetou US$ 1 bilhão e abriu as portas da infraestrutura da Azure.
Linha do tempo da revolução
- 2015: Fundação da OpenAI com doações de até US$ 1 bilhão.
- 2016: Lançamento do OpenAI Gym (ambiente de simulação para aprendizado por reforço).
- 2019: Microsoft investe US$ 1 bilhão; OpenAI se torna uma empresa com fins lucrativos limitados.
- 2020: Chegada do GPT-3, com 175 bilhões de parâmetros.
- 2022: Lançamento oficial do ChatGPT; viralização global.
- 2024: Valuation de US$ 157 bilhões após rodada de US$ 6,6 bi.
- 2025: Rodada de US$ 40 bilhões liderada pelo SoftBank; avaliação chega a US$ 300 bilhões.
E as pessoas comuns nisso tudo?
Apesar do tamanho e do hype, a revolução da OpenAI não é exclusiva do Vale do Silício. Milhões de pessoas usam seus produtos todos os dias — muitas vezes sem perceber. O ChatGPT virou assistente de estudos, redator de currículos, conselheiro de carreira, tradutor e até terapeuta informal.
Pequenas empresas usam as APIs da OpenAI para automatizar atendimentos, criar campanhas de marketing, gerar código, alimentar redes sociais e personalizar experiências de clientes — com custos acessíveis, por meio de ferramentas como Zapier, Notion, Shopify e WhatsApp Business.
Ou seja: o impacto já é real, presente e distribuído.
O plano ambicioso: ir além da IA
A nova rodada de investimentos será usada para desenvolver não apenas novos modelos, mas chips próprios, data centers personalizados e avanços rumo à Inteligência Artificial Geral (AGI) — uma IA capaz de realizar tarefas intelectuais humanas com flexibilidade e raciocínio.
Sam Altman fala abertamente sobre superinteligência e sobre a urgência de governança global para lidar com as consequências éticas, políticas e econômicas da IA. A OpenAI quer ser não só protagonista da tecnologia, mas guardião de sua evolução.
O Google do passado x a OpenAI do futuro
O Google transformou a maneira como acessamos informação. Mas a OpenAI está mudando como produzimos, processamos e aplicamos o conhecimento.
Enquanto o Google dependia de anúncios e cliques, a OpenAI cresce com base em assinaturas, APIs e integração em plataformas, posicionando-se como infraestrutura básica do mundo digital — uma camada intermediária entre humanos e máquinas.
Se nos anos 2000 a pergunta era “qual o link?”, agora é “qual a resposta?”.
E quem entrega essa resposta está ganhando o jogo.