
A confirmação da deputada e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) mostra que o presidente Lula decidiu ignorar todos os sinais de queda de popularidade e de desgaste de seu governo. Sem base sólida no Congresso, foram muitos os conselhos sobre a necessidade de ele colocar no cargo um político com mais trânsito no centrão. Mas Lula decidiu agradar ao PT, e agora corre risco de ver a relação com deputados e senadores ser ainda mais difícil.
Inicialmente, Lula cogitou nomear Gleisi na Secretaria-Geral da Presidência, pasta comandada pelo também petista Márcio Macedo, como uma forma de garantir unidade no futuro do partido. Seria uma forma de mantê-la próxima da cúpula do Planalto, em uma posição que ainda garantiria interlocução direta com movimentos sociais.
A saída do atual ministro Alexandre Padilha da articulação política não ocorreu apenas pela missão de assumir o Ministério da Saúde. Há muito tempo havia queixas sobre a capacidade de ele lidar com o Congresso. A escolha de Gleisi era a menos provável, levando em conta a necessidade de alguém menos combativo, que deixasse a militância de lado em nome da conciliação.
Auxiliares de Lula, especialmente do PT, refutam a ideia de que Gleisi é radical e terá dificuldades de lidar com os parlamentares. Dizem que o histórico como deputada, senadora e ex-ministra da Casa Civil a credenciam a fazer um bom trabalho. Citam também a participação que ela teve na aglutinação de partidos em torno da candidatura de Lula em 2022.
A impressão do lado de fora do partido, no entanto, é outra. Se a escolha de Gleisi não vier acompanhada de mais trocas na Esplanada, Lula poderá se isolar cada vez mais no governo.