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O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
A pressão sobre o câmbio nos últimos dias estava associada a agendas internas, mas a desta quinta-feira (27) veio do Exterior. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou tarifas de 25% sobre importações de México e Canadá e de 10% adicionais sobre a China a partir de terça-feira (4), e o dólar subiu 0,45%, para R$ 5,828.
A moeda americana chegou a romper para baixo a barreira dos R$ 5,80 durante a manhã, mas logo voltou ao novo patamar que opera desde quarta-feira (26), fechando na maior cotação desde 31 de janeiro.
É bom lembrar que a elevação de tarifas a produtos que chegam aos EUA tem potencial de gerar aumento de inflação. Com preços em alta, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) terá de adotar mais cautela na redução do juro, o que atrai mais investidores ao país e fortalece o dólar.
Ainda que a maior pressão sobre a moeda americana nesta quinta-feira seja atribuída ao anúncio de Trump, o cenário interno também teve sua dose de participação. A taxa de desemprego, mesmo que tenha subido, veio abaixo do esperado pelo mercado, indicando que o mercado de trabalho segue aquecido, mantendo a preocupação com a inflação e desvalorização do real.
Existe também um receio de parte do mercado sobre medidas populistas do governo federal e o efeito sobre os preços.
*Colaborou João Pedro Cecchini