A Polícia Civil prendeu seis pessoas na manhã desta quarta-feira (26) ao deflagrar a Operação Tormentum. A ação tem como alvo integrantes de uma organização criminosa do Vale do Sinos que sequestraram, torturaram e causaram a morte de um jovem em Novo Hamburgo, na mesma região, em dezembro passado.
Foram cumpridas 19 ordens judiciais em Novo Hamburgo, sendo oito de prisão temporária e 11 de busca e apreensão. A investigação durou dois meses.
Além das prisões, a ofensiva apreendeu R$ 25,3 mil em dinheiro, 500 gramas de maconha, celulares e acessórios de armas de fogo. Cerca de 80 policiais participaram da ação.
Vítima confundiu veículos
O caso que motivou a investigação ocorreu na madrugada de 13 de dezembro e teve como vítima Maurício Popioeck, 26 anos.
Segundo o delegado Gabriel Borges, da Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de Novo Hamburgo, as investigações indicam que, horas antes do fato, a vítima estava em um bar com amigos.
Na saída, Popioeck confundiu a motocicleta dele com a de outra pessoa; o veículo seria de um criminoso da região.
— A vítima discutiu com algumas pessoas. Depois, ela pegou sua motocicleta e foi para casa. Essa confusão sobre a propriedade do bem motivou que ele (Popioeck) fosse arrebatado e torturado por determinação dos traficantes — relatou.
Uma hora depois da discussão inicial, em dois carros, os autores do crime foram à casa da vítima, no bairro Canudos, onde realizaram o rapto. Maurício Popioeck foi colocado em um dos veículos e levado para um local na mesma cidade onde foi torturado.
Duas horas depois, os sequestradores deixaram o jovem em casa, com inúmeras lesões. Naquele momento, ele foi retirado do porta-malas do automóvel e agredido outra vez.
— Esses indivíduos têm diversos antecedentes, mas nada relacionado a esse estilo de execução — resumiu Borges.
A vítima foi levada em estado gravíssimo para atendimento médico , mas morreu no dia 14 de dezembro. Maurício Popioeck não tinha antecedentes criminais. A polícia foi acionada depois da morte da vítima no hospital.
Segundo o delegado, das seis prisões feitas, cinco estão relacionadas à morte do jovem; o sexto capturado foi preso em flagrante na ofensiva por tráfico de entorpecentes e porte ilegal de arma de fogo.
Os presos — que não tiveram os nomes divulgados — serão indiciados por tortura seguida de morte, associação criminosa e também serão responsabilizados pelos agravantes do crime, como impossibilidade de defesa da vítima e motivo fútil.