Um grupo de 183 haitianos chegou na manhã desta segunda-feira (26) a Porto Alegre. São imigrantes que fretaram um avião após conseguirem uma autorização judicial para entrar no Brasil sem visto.
Eles saíram da capital haitiana, Porto Príncipe, na noite de domingo (25), em um voo da companhia área Azul. Dos 183, 80 são crianças — algumas delas que pouco ou nada tiveram de contato com os pais, que viajaram anos antes em busca de uma vida melhor (leia outras histórias aqui).
A autorização para entrada do grupo foi obtida a partir de uma liminar concedida pela 6ª Vara Federal de Porto Alegre, a partir de ação movida pela Associação da Integração Social. Embora desobrigados de apresentar visto, os familiares deles que residem no Brasil tiveram de comprovar que estão regularizados, que não possuem antecedentes criminais e que têm condições de renda para sustentar os parentes.
A psicóloga da Marília Meneghetti Bruhn, da entidade que auxilia imigrantes no Estado, acompanhou o voo e foi responsável pelo acolhimento dos haitianos.
— É uma emoção muito grande, porque todos eles estão vindo para se reunir com suas famílias. Tem crianças pequenas que estão longe de seus pais há muito tempo — destaca.
A pandemia de coronavírus e as dificuldades para obter o visto impediam que esses haitianos viajassem para o Brasil. Os problemas no país de origem, o mais pobre das Américas, vão desde falta do que comer, passando por moradia e ausência de perspectiva de melhora na qualidade de vida.
— O Brasil é um país que abre as portas para receber essa população. Tanto no âmbito de regularização documental quando de acesso a direitos. A vinda para o Brasil abre portas para outras oportunidades — observa Bibiana Waquil Campana, assistente social da entidade.
Os 183 haitianos vão ficar com familiares que já estão no país, a maioria no Rio Grande do Sul, em cidades como Porto Alegre, Canoas, Bento Gonçalves e Caxias do Sul. Alguns também irão para Estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Para sair do Haiti, eles fizeram teste PCR para verificar se estavam contaminados pelo coronavírus e preencheram dados enviados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atestando as condições de saúde. Ao chegarem aqui, receberam máscaras e álcool gel doados pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) da Capital.
A Associação da Integração Social colaborou para organizar a vinda dos haitianos, mas o voo foi inteiramente pago pelos passageiros. Segundo Bibiana, a diferença desse tipo de voo para o comercial, restrito entre Haiti e Brasil devido à pandemia, é que a associação negocia um valor mais barato com a companhia aérea.