Uma adolescente de 17 anos ganhou na Justiça o direito de cursar Medicina antes de concluir o Ensino Médio, em Passo Fundo, no norte do Estado. Nicole Dreyer Brockstedt está no último ano da etapa escolar e foi aprovada no vestibular da Universidade de Passo Fundo (UPF) em novembro.
Ela começou a frequentar as aulas em março deste ano, mas foi informada que não poderia prosseguir com o curso. O motivo: faltava o certificado de conclusão do Ensino Médio, uma exigência para ingressar no ensino superior.
A jovem, então, moveu uma ação contra a instituição, com assistência da mãe, Laura Wolff, a fim de garantir a vaga.
— Ela sempre se destacou como aluna, sempre foi muito acima da média e muito dedicada. A gente nunca precisou incentivar: desde pequena quis ser médica e eu nunca precisei olhar o caderno, ver se tinha prova, ela buscou conhecimento além do que os professores passavam. A Nicole sempre focou nesse objetivo de vida — conta a mãe.
A decisão proferida pela juíza Ana Paula Caimi, da 5ª Vara Cível da Comarca de Passo Fundo, deferiu em 31 de março a ação em favor da aluna, autorizando-a a frequentar a faculdade.
Ela deve retornar às aulas, uma vez que a instituição tem cinco dias para o cumprimento da ordem judicial. Mesmo assim, a adolescente vai cursar o 3ª ano do Ensino Médio em turno inverso às aulas da universidade.
Conforme o advogado da família, Edison Machado, a medida autoriza a estudante a cursar o primeiro semestre da faculdade enquanto tramita o processo judicial.
— Na ação, nos preocupamos em destacar o nível de estudos, conhecimento e dedicação da Nicole, com provas documentais que atestam o seu desempenho escolar, além de maturidade pessoal e intelectual com aptidão para passar a um nível mais alto em seus estudos do que o previsto para a sua idade — argumenta.
Para a estudante, a aprovação é motivo de orgulho, já que a inspiração veio de família, com dois tios e um primo médicos. A notícia da realização de um sonho de infância veio mais cedo do que o esperado.
— Quando recebi a notícia fiquei emocionada, não estava esperando. É um trabalho que vai sendo construído, não é de uma hora para a outra. Desde pequena nunca pensei em outra possibilidade, a Medicina sempre foi o que me encantou — afirmou a adolescente, animada.
A reportagem procurou a Universidade de Passo Fundo (UPF), que se manifestou por meio de nota afirmando que "foi notificada e a assessoria jurídica se manifestará no processo".