
A menos de duas semanas da Sexta-Feira Santa, em 18 de abril, mercados, peixarias e produtores se preparam para atender à demanda dos consumidores que optam pelo preparo da carne de peixe na data. Cidades do norte e noroeste gaúcho estão entre as principais na piscicultura do Estado.
Conforme dados do IBGE, as duas regiões são responsáveis pela maioria da produção de carpa, dourado, lambari e tilápia — uma das carnes de peixe mais procuradas nos últimos anos, principalmente na Semana Santa.
Só na região de Passo Fundo, 298 piscicultores com 450 viveiros são atendidos pela Emater. A expectativa é de que a oferta neste ano seja semelhante a do ano passado, em torno de 260 toneladas, estima o engenheiro agrônomo e assistente técnico regional, Vilmar Wruch Leitzke.
— Apesar da estiagem e das altas temperaturas impactarem na manutenção dos níveis e da qualidade da água, que refletem em ajustes no manejo, isso não deve interferir na qualidade do produto ofertado. Também se mantém a expectativa de volumes de pescado na mesma escala do ano passado — afirma.
Em Linha Canudo, interior de Machadinho, no norte do Estado, o piscicultor Antonio Polo cria tilápia, carpa-capim e jundiá. De acordo com ele, a demanda aumenta cerca de 50% nas semanas que antecedem o feriado católico e as vendas se concentram na cidade e arredores.
— A gente diz que é a nossa safra do peixe, temos agroindústria de filé de tilápia, que é 90% da nossa produção. Muita gente da região vem comprar direto aqui, e a procura existe o ano todo, geralmente falta peixe. Neste ano, investimentos para tentar sobrar — relata o produtor.
Em 2024, 11 municípios realizaram feiras para venda dos peixes. Em outras 37 cidades, as vendas ocorreram direto na propriedade ou em pesque pague — isso significa que em 88% dos municípios atendidos pela Emater existiu a oferta de peixes.
O engenheiro aponta que, no momento, se observa pequena elevação no preço do peixe, tanto para os filés como para o peixe vivo entre as principais espécies cultivadas na região (tilápias, carpas e jundiás). No entanto, o panorama pode mudar até a semana de Páscoa.
Cenário de vendas
Já no comércio de Passo Fundo, o aumento nas vendas varia entre os estabelecimentos. Uma distribuidora localizada no bairro Petrópolis estima um acréscimo máximo de 5% na demanda. O local atende atacados, peixarias e restaurantes.
— Outros anos foram mais impactantes, esse ano segue parecido com o restante do ano. Os custos aumentaram e os locais estão precisando engolir isso. Víamos um aumento de 30%, mas esse ano não é tão perceptível — afirma o proprietário Juliano Sbeghen.
Já em uma peixaria localizada na Vila Rodrigues, o panorama é mais otimista. A dona do comércio estima um faturamento entre 20% e 30% maior do que no restante do ano.
— A gente já percebeu que aumentou o movimento, o pessoal recebe e começa a antecipar as compras. Mas nos dias anteriores o movimento é maior, muita gente compra em cima da hora, até por não ter onde armazenar o peixe — pontua Nathalia Formighieri.
O produto mais procurado no local é o filé de tilápia, mas o salmão também tem registrado aumento nas vendas. No Estado, a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) calcula um crescimento de 5% nas vendas de peixes no varejo, em torno de 450 toneladas de pescados vendidas.