
Tradicional marca brasileira de leite, a Piracanjuba vai investir R$ 65 milhões na fábrica de Carazinho neste ano. O objetivo: construir uma nova Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) e uma caldeira movida a biogás — dois projetos que devem ajudar a reduzir as emissões de carbono — e os gastos — da indústria.
O investimento vai ser dividido em duas frentes:
- R$ 36 milhões vão para a estação de tratamento, que terá produção de biogás
- R$ 29 milhões vão para a construção de uma nova caldeira movida à biomassa (eucalipto) e biogás.
O valor representa um quarto de recurso pleiteado no Fundo do Clima do BNDES. Outras três unidades vão receber o mesmo montante: Três Rios (RJ), Araraquara (SP) e São Jorge do Oeste (PR).
Hoje a fábrica divide a estação de efluentes com outra empresa. Com o investimento, vai ter a sua própria e espera reduzir em mais de 90% as mais de 10 toneladas de resíduos produzidos por dia na limpeza e manutenção das máquinas que produzem achocolatados, leite condensado, creme de leite e leite UHT das marcas Piracanjuba, Molico e Ninho, por exemplo.
— Temos unidades que já funcionam dessa forma e os ganhos são muitos. Tratamos o efluente da indústria e o transformamos em água de altíssima qualidade que, se não fossem as leis pendentes sobre esse reuso, poderíamos reutilizá-la na fábrica — disse o diretor ambiental Jefferson Araújo.
A estação deve ser capaz de gerar biogás rico em hidrocarboneto metano, que será usado para gerar calor nas esteiras de produção dos alimentos. A unidade calcula que vai deixar de emitir até 30 mil toneladas de dióxido de carbono com a mudança, uma vez que terá consumo menor de lenha e energia elétrica na caldeira.
Esse método já é usado em outras fábricas da Piracanjuba, como em Maravilha (SC) e Bela Vista de Goiás (GO).
Um ano de obra e mais de 150 empregos diretos na construção
A caldeira movida a biogás e a estação de tratamento ficarão em uma área ainda inutilizada da fábrica. Em um ano de obra, até 150 pessoas devem trabalhar na construção. A empresa já possui a licença prévia e está em fase de projetos. Nos próximos dias deve solicitar a licença de instalação, que é a autorização para começar a construir.
A expectativa é que a obra comece ainda em 2025, siga ao longo de 2026 e o espaço fique pronto em 2027. Conforme Araújo, os R$ 65 milhões investidos devem retornar à empresa em cinco anos.
— É um grande investimento. A empresa acredita na bacia leiteira da região sul e o mercado consumidor é muito importante. Esse investimento é para alicerçar um próximo crescimento. Para os próximos anos podemos ter novidades nessa fábrica — adiantou.
Hoje a fábrica de Carazinho da Piracanjuba tem cerca de 250 funcionários e processa uma média de 550 mil litros de leite por dia.
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