
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2), a aplicação de tarifas a produtos de diversos países — o Brasil terá alíquota de 10%.
Trump exibiu uma tabela com as alíquotas cobradas pelos países e as que serão aplicadas pelos EUA. A tarifa média, segundo ele, será de 25%. Para a China, a taxação será de 34%, e para a União Europeia, 20%. Camboja, com 49%, e Madagascar, com 47%, lideram.
Outros países latino-americanos terão aplicação de 10%, como Colômbia, Argentina, Chile, Peru, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala, Honduras e El Salvador.
As medidas entrarão em vigor no sábado (5), para aqueles países afetados com 10%, e na próxima quarta-feira (9) para os demais, conforme a Casa Branca.
— (Hoje) vai ser celebrado como o dia em que a indústria americana renasceu — disse.
No chamado "Dia da Libertação", Trump citou como exemplos as tarifas aplicadas pela Indonésia, sobre motos, e sobre o leite dos EUA no Canadá, além de subsídios para Canadá e México, como exemplos negativos para o país. Mencionou também a Austrália, na carne, assim como China, Coreia do Sul e Japão, no arroz.
— Não podemos nos render mais economicamente — disse.
O presidente também disse que a aplicação de tarifas inadequadas por outros países ameaça a segurança nacional dos EUA.
Série de tarifas
A ação faz parte de uma série de tarifas aplicadas pelo presidente dos EUA desde o início de seu segundo mandato, em janeiro. No discurso ele reforçou que as tarifas de 25% sobre automóveis importados entrarão em vigor a partir da 0h desta quinta-feira (3) — no horário local.
Nos últimos meses, ele também tarifou produtos importados do Canadá, México e China, assim como sobre o aço e alumínio importados de qualquer país.
Confira:
- Tarifa de 25% sobre qualquer país que importe petróleo e/ou gás da Venezuela;
- Tarifas adicionais de 20% sobre a China;
- Tarifas sobre medicamentos farmacêuticos importados, ainda a serem definidas;
- Tarifa de 25% sobre a importação de aço e alumínio, já em vigor desde 12 de março;
- Tarifas de 25% sobre algumas das importações vindas do México e do Canadá e que não se enquadrem no USMCA (acordo comercial que existe entre os três países).
Reação brasileira
Desde as primeiras sinalizações de Trump sobre a aplicação de tarifas recíprocas, o governo brasileiro vem preparando uma resposta.
Ministros como Fernando Haddad, da Fazenda, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também vice-presidente, vem sinalizando que haverá diálogo antes de qualquer ação.
Nesta quarta-feira (2), a Câmara dos Deputados aprovou o "PL da Reciprocidade", projeto de lei que estabelece critérios para que o Brasil responda a "medidas unilaterais" adotadas por países ou blocos econômicos que afetem a competitividade internacional do país. O texto vai à sanção presidencial.
O projeto de lei 2088/23 permite ao Poder Executivo adotar contramedidas a países ou blocos econômicos que criarem medidas de restrição às exportações brasileiras, sejam de natureza comercial (sobretaxas) ou de origem do produto (de área desmatada, por exemplo).