
O segundo mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos completa um mês nesta quinta-feira (20), pontuado por uma série de medidas polêmicas e com impactos e reações globais. Da expulsão em massa de imigrantes ilegais ao tarifaço, as ordens do ocupante da Casa Branca reforçam a agenda America First, que prioriza os Estados Unidos em diferentes frentes.
Foram pelo menos 115 decretos publicados nesse período — o que corresponde a quase quatro documentos assinados por dia —, alguns deles barrados temporariamente pela Justiça, algo que Trump tenta reverter, outros que revogam medidas do seu antecessor democrata, Joe Biden.
De volta ao posto mais importante do planeta, o republicano, tal como no primeiro mandato, retirou os EUA do Acordo de Paris. Também cumpriu a promessa feita na campanha, perdoando todos os acusados pelo ataque ao Capitólio. Na lista de decretos da era Biden anulados de imediato estão ações sobre a imigração, incluindo a força-tarefa para reunificar crianças separadas dos seus pais na fronteira, e promoção da igualdade.
Veja a seguir, cinco pontos, ações que marcaram os primeiros 30 dias do novo governo norte-americano.
Ataque ao Capitólio
No dia da posse, Trump concedeu o perdão presidencial para 1,5 mil pessoas acusadas pelo ataque ao Capitólio de janeiro de 2021 — dia da certificação da vitória de Joe Biden. Na ocasião, cinco pessoas morreram.
O presidente chamou os acusados presos de "reféns" e disse que essas pessoas "não fizeram nada de errado".
Imigração
A luta contra a imigração ilegal é a prioridade de Donald Trump, que pouco depois de assumir o cargo assinou uma série de decretos, muitos deles para bloquear a entrada ou facilitar a expulsão de imigrantes em situação irregular, com a promessa de realizar a maior deportação em massa da história americana.
Em 24 de janeiro, ele anunciou a prisão e deportação de 538 imigrantes que estariam em situação ilegal nos Estados Unidos. O presidente expandiu o poder dos agentes de Imigração e Alfândega e acabou com programas do governo Joe Biden, retirando o status legal de milhões de pessoas que entraram no país nos últimos dois anos. As medidas permitem a deportação rápida e massiva.
No dia 29, Trump ratificou uma lei que estipula a detenção automática de migrantes em situação irregular acusados de alguns crimes, incluindo o roubo. Foi o primeiro projeto de lei que Trump assinou em seu segundo mandato. De acordo com essa legislação, as autoridades podem deter qualquer imigrante que tenha cometido "roubo, furto, roubo em lojas ou agressão a um agente da lei, ou qualquer crime que resulte em morte ou lesões corporais graves a outra pessoa".
No mesmo dia, o presidente anunciou que determinaria ao Pentágono que preparasse a prisão de Guantánamo para deter até 30 mil imigrantes ilegais. A base americana em Cuba tem sido usada para os presos da guerra americana contra o terrorismo.
Outra medida nesse âmbito foi uma ordem para acabar com a cidadania automática de filhos de imigrantes ilegais. Atualmente, quando uma imigrante em situação ilegal tem um filho nos Estados Unidos, a criança obtém automaticamente a cidadania. O mesmo ocorre se a mãe estiver nos EUA com um visto temporário. Trump pretende acabar com esse direito e assinou uma ordem para tal, mas a Justiça Federal suspendeu temporariamente a medida.
Acordo de Paris, OMS e Conselho de Direitos Humanos
Pela segunda vez, Trump anunciou a saída de seu país do Acordo de Paris, que visa adotar medidas para frear a emissão de gases do efeito estufa. O republicano também declarou que vai anunciar "emergência energética nacional" para ampliar significativamente a exploração de petróleo, além de descartar futuras normas rigorosas de poluição para automóveis e caminhões, as quais ridicularizou como um "mandato de veículos elétricos". Os EUA são o maior produtor de petróleo e de gás do mundo.
A saída do acordo leva um ano após a apresentação de uma notificação formal às Nações Unidas, que patrocinam as negociações globais sobre o clima. A entidade confirmou que recebeu o aviso dos EUA em 27 de janeiro.
Por meio de decretos, Trump também retirou o país da Organização Mundial da Saúde (OMS), alegando que os Estados Unidos pagam injustamente mais do que a China ao organismo da Organização das Nações Unidas (ONU), e do Conselho de Direitos Humanos da ONU, órgão do qual não é membro, mas observador.
Tarifaço
O governo dos Estados Unidos informou, 1º de fevereiro, que impôs tarifas de 25% para o Canadá e o México e 10% para a China, como havia prometido o presidente Donald Trump. A Casa Branca disse que os três decretos com as novas tarifas tinham uma cláusula de retaliação, caso os países atingidos pelo tarifaço resolvessem adotar a reciprocidade.
Em 10 de fevereiro, Trump, confirmou a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio, sem exceções. A medida impactou o mundo todo e gerou reações entre líderes de diversos países. No Brasil, p presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que qualquer taxação de produtos brasileiros nos EUA, como o aço, por exemplo, poderá ter como reação a taxação de produtos norte-americanos no Brasil.
Sobre a China, Trump impôs uma tarifa de 10% sobre todos os produtos do país que entrarem nos EUA, criando um temor de que a medida poderia criar uma guerra comercial.
Guerras no Oriente e no Leste Europeu
Donald Trump se envolveu nas negociações sobre a guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, e um acordo de cessar-fogo entrou em vigor um dia antes dele voltar a sentar na cadeira do Salão Oval da Casa Branca. O presidente recebeu o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e afirmou que os EUA podem assumir um "controle a longo prazo" da Faixa de Gaza. Organizações, vários países e a ONU repudiaram a ideia. Antes disso, Trump causou polêmica recentemente ao propor "limpar" a Faixa de Gaza e transferir seus habitantes para locais "mais seguros", como Egito e Jordânia, que se opuseram à proposta.
Sobre a guerra na Ucrânia, iniciada após a invasão russa em 2022, Trump tem falado com os presidentes dos dois países, o ucraniano Volodymyr Zelensky e o russo Vladimir Putin, a fim de chegar a um acordo. No dia 9 de fevereiro, Trump disse ter conversado sobre o conflito na Ucrânia com Putin, por telefone. A declaração foi feita em uma entrevista ao New York Post. O Kremlin se recusou a confirmar ou negar as declarações do americano.
Mas, às vésperas de o conflito completar três anos, em 24 de fevereiro, conversas entre Estados Unidos e Rússia, sem que a Ucrânia esteja diretamente envolvida, tensionou os ânimos. Zelenski reiterou o alerta de que não aceitará o resultado se não houver participação de autoridades ucranianas, enquanto Trump afirmou que o líder ucraniano é um "ditador" e que "deverá agir rápido ou não terá mais país". O republicano acusou Zelenski de ser um líder ilegítimo sem eleições presidenciais e de sumir com metade do dinheiro enviado para apoiar o exército na guerra contra a Rússia.