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O grupo extremista Hamas e Israel anunciaram que irão trocar os corpos de quatro reféns israelenses por mais de 600 prisioneiros palestinos, completando a fase inicial do frágil acordo de trégua em Gaza. Conforme o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a devolução será nas próximas horas, sem nenhuma cerimônia pelo Hamas.
"De acordo com as exigências israelenses, um acordo foi alcançado com os mediadores: nossos quatro reféns falecidos serão devolvidos esta noite como parte da primeira fase (do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza), seguindo um procedimento acordado e sem cerimônias do Hamas", disse o gabinete do primeiro-ministro em um comunicado.
Inicialmente, a entrega estava prevista para acontecer na quinta-feira (27). Em Israel, milhares de pessoas se reuniram na beira da estrada para acompanhar o cortejo fúnebre da refém israelense de origem argentina Shiri Bibas e seus dois filhos, que morreram em cativeiro em Gaza e se tornaram símbolos da tragédia dos reféns no país.
O parlamento israelense realizou um minuto de silêncio nesta quarta-feira em homenagem aos três membros da família Bibas, assim como a outras vítimas do ataque contra Israel.
Conflito em Gaza
A trégua encerrou em grande parte a guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelos ataques de 7 de outubro de 2023 em território israelense. Até agora, o cessar-fogo levou à libertação de 25 reféns vivos em troca de mais de 1,1 mil prisioneiros palestinos.
Em Washington, o enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, disse que representantes israelenses estavam a caminho para participar das negociações sobre a próxima fase do acordo de trégua.
— Estamos fazendo muito progresso. Israel está enviando uma equipe agora — disse Witkoff em um evento do Comitê Judaico Americano.
O enviado disse que "as negociações serão retomadas com os egípcios e os cataris em Doha ou no Cairo".
Israel ainda não confirmou se enviará uma delegação para discutir a segunda fase do cessar-fogo. O Hamas disse que estava disposto a libertar os reféns restantes "de uma vez" na segunda fase.
No domingo (23), o grupo acusou Israel de colocar em risco a trégua em Gaza ao adiar a libertação de mais de 600 prisioneiros palestinos. O país atrasou a entrega após se opor à forma como os reféns foram libertados, o que Netanyahu chamou de "cerimônias humilhantes".
Cessar-fogo
O acordo prevê três fases distintas. A primeira, com previsão de durar 42 dias, contou com a troca de todos os reféns israelenses — vivos ou mortos — por prisioneiros palestinos, além da retirada das forças israelenses dos centros populacionais de Gaza e o retorno dos islamistas para as suas casas.
Os detalhes da segunda fase ainda precisam ser definidos. A expectativa era de que as negociações ocorressem até o fim da primeira etapa, mas os termos ainda não foram elaborados.
A terceira e última fase do cessar-fogo previa a troca dos corpos dos reféns restantes e um plano de reconstrução da região, que deve ser executado em um período de três a cinco anos sob supervisão internacional.
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, em 19 de janeiro, o Hamas libertou reféns em cerimônias públicas em Gaza, em que combatentes armados e mascarados escoltaram os prisioneiros até os palcos diante de um grande público. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha pediu a todas as partes que conduzissem as trocas "de maneira digna e privada".
Ambos os lados se acusam de violar a trégua, mas até agora, ela tem se mantido. Israel prometeu destruir o Hamas depois que os ataques de 7 de outubro de 2023, os mais mortais no território, desencadearam a guerra em Gaza, com mais de 1,2 mil israelenses mortos, a maioria civis, de acordo com uma contagem da AFP baseada em números oficiais.
A resposta israelense em Gaza custou a vida de mais de 48 mil pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas. A ONU considera esses dados confiáveis.