Centenas de médicos protestaram neste sábado (6) contra o governo de Honduras, pelo que consideram uma má gestão da pandemia do coronavírus, que já causou a morte de 79 desses profissionais.
"Acabe com o genocídio contra o pessoal de saúde", dizia uma das faixas de cerca de 300 membros da Escola de Medicina de Honduras (CMH), que se reuniram em frente ao hospital móvel instalado pelo governo a leste da cidade para cuidar dos pacientes com covid-19.
Os médicos reclamam que o governo lhes forneceu materiais de má qualidade e insuficientes para poderem cuidar dos doentes, pois o dinheiro destinado às compras foi desviado para contas privadas.
"A corrupção tem nomes e eles têm que pagar por este crime contra a humanidade", disse aos jornalistas o presidente do CMH, Suyapa Figueroa. "Este roubo significa a morte de muitos colegas", frisou.
O vice-presidente do CMH, Samuel Santos, denunciou em declarações à Rádio Voces que Honduras ficou de fora das primeiras entregas de vacinas contra a covid-19 porque a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu prioridade aos países que relatam maior mortalidade.
Ele assegurou que Honduras registra mais de 20 mil mortes causadas pela pandemia, mas o governo relata cerca de 3.700 para dar a impressão de que está lidando bem com a crise.
Figueroa disse à AFP que 79 médicos morreram devido às más condições de biossegurança.
Depois de uma ligeira queda entre novembro e dezembro, Honduras registrou uma nova onda de casos que deixou os hospitais à beira do colapso, de acordo com fontes médicas.
O governo hondurenho promete para a segunda quinzena de fevereiro suas primeiras 800 mil doses de vacinas, por meio do mecanismo Covax da OMS.
* AFP