O autor do atentado de Las Ramblas, em Barcelona, Younes Abouyaaqoub, foi morto nesta segunda-feira (21) depois de uma intensa busca, anunciou a polícia catalã. O marroquino de 22 anos morreu em Subirats, 50 quilômetros a oeste da capital catalã, em uma zona muito pouco povoada.
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"Confirmamos que o indivíduo morto no incidente de Subirats é Younes Abouyaaqoub, autor do atentado terrorista em Barcelona", indicou a Mossos d'Esquadra, polícia catalã, no Twitter.
A polícia enfatizou que continua realizando diligências para verificar se há mais pessoas na zona que possam ter ajudado o suspeito.
– Aqui não vive quase ninguém, é um povoado de 300 habitantes. Está isoladíssimo de tudo – declarou Arnau Gómez, morador da região. – Nas colinas, há muitas casas de veraneio vazias, é fácil de se esconder – acrescentou.
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O rapaz portava o que aparentava ser um cinturão de explosivos, que foi retirado dele por uma equipe de especialistas. Ainda não se sabe se era verdadeiro ou falso.
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Abouyaaqoub foi assinalado pela polícia como o "autor do atentado de Barcelona de 17 agosto", por estar ao volante da van que atropelou intencionalmente uma multidão, deixando 13 mortos e 120 feridos.
Nova vítima
O motorista da van entrou na movimentada avenida Las Ramblas em alta velocidade e atropelou várias pessoas por 500 metros. Depois do ataque, ele conseguiu escapar e permaneceu foragido por dias.
De acordo com as imagens divulgadas nesta segunda pelo jornal El País, Abouyaaqoub escapou ao atravessar o popular mercado de La Boquería, usando óculos escuros. Depois, cruzou grande parte de Barcelona a pé, até a saída sul da cidade.
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O chefe da polícia catalã, Josep Lluís Trapero, contou que, nesse local, ele esfaqueou um espanhol que estacionava seu Ford Focus e fugiu de um controle policial. O carro foi encontrado abandonado, com seu proprietário, Pau Pérez, morto a facadas no interior do veículo.
Com a morte de Pérez, 34 anos, subiu para 15 o número de vítimas dos atentados de quinta-feira (17) na Espanha, todas elas identificadas, segundo as autoridades.
Ao todo, foram sete mulheres e oito homens: cinco espanhóis – entre eles um menino de três anos –, uma hispano-argentina, três italianos, dois portugueses, uma belga, um americano, um canadense e um menino australiano-britânico de 7 anos.
Epicentro extremista
Abouyaaqoub pertencia a uma célula de 12 membros que participaram do duplo atentado de Barcelona e Cambrils – localidade costeira 120 quilômetros ao sul, onde uma mulher morreu e mais seis pessoas ficaram feridas.
Anteriormente, quatro integrantes foram mortos pela polícia em Cambrils e outros dois aparentemente morreram na explosão acidental em uma casa de Alcanar (200 km ao sul de Barcelona), quando preparavam explosivos para o uso em possíveis atentados de maior envergadura.
A maioria dos suspeitos morava em Ripoll, um povoado 100 quilômetros ao norte de Barcelona, onde, na madrugada desta segunda, ocorreram novas revistas.
Depois do anúncio da morte de Abouyaaqoub, a polícia catalã confirmou que o imã dessa localidade, o marroquino Abdelbaki Es Satty, morreu na explosão de Alcanar. Es Satty era uma das figuras-chave da investigação, pois foi o doutrinador dos integrantes da célula, todos muito jovens e sem antecedentes de terrorismo.
O religioso ficou preso na Espanha de 2010 a 2014 por tráfico de drogas, segundo as autoridades catalãs. Depois, residiu em Machelen, periferia de Bruxelas, entre janeiro e março de 2016.
O presidente da comunidade muçulmana em Ripoll, Ali Assid, assegurou nesta segunda que o imã "jamais passou uma mensagem radical e, se está por trás dos ataques, é porque tinha duas caras, uma na mesquita e outra fora dela".
Os especialistas situam esta região como o foco da atividade extremista na Espanha, com uma importante concentração de mesquitas salafistas – onde podem ocorrer processos de recrutamento.
Quatro dias após os atentados, 48 pessoas continuam hospitalizadas, entre elas oito em situação crítica e 12 em estado grave, segundo o último balanço da Defesa Civil da Catalunha.