Líder do ranking da ATP, Jannik Sinner afirmou que considera injusta sua suspensão do circuito por doping e que escolheu o "mal menor" ao entrar em acordo com a Agência Mundial Antidoping (Wada). Em sua primeira entrevista desde que aceitou um gancho de três meses, à Sky Sports, o italiano disse que "poderia ter sido pior" se não entrasse em um acordo.
"No final, você tem que escolher o mal menor e eu acredito que é isso que eu fiz. Mesmo que às vezes pareça um pouco injusto, tudo o que estou vivendo, mas então se eu olhar as coisas de uma perspectiva diferente, poderia ter sido pior. Ainda mais injustiça. É assim que é", disse Sinner à Sky Italia.
Sinner testou positivo duas vezes em testes para drogas no ano passado. Ele havia sido inocentado pela Corte Arbitral do Esporte (CAS), que considerou que "não houve intenção de trapacear" e que a droga clostebol, um anabolizante e antibiótico, "não favorece benefício na performance", mas a Wada apelou. O atleta alegou que teria sido involuntariamente contaminado por seu fisioterapeuta.
Suspenso desde 9 de fevereiro, após conquistar o bicampeonato do Aberto da Austrália, o tenista de 23 anos poderá retornar às quadras em 4 de maio. Ele disse que o episódio o abalou e que não vê a hora de poder jogar novamente, o que deverá acontecer no Aberto de Roma, na Itália, entre 7 e 18 de maio.
"Fiquei muito frágil depois do que aconteceu", disse Sinner. "Eu mentiria se dissesse que sou uma pessoa sem sentimentos ou emoções. Na vida você aprende, a cada ano aprendo mais sobre mim mesmo, também sobre meu valor. Não foi fácil, muito difícil às vezes, mas as pessoas ao meu redor me deram força para entender o que tinha acontecido", comentou o tenista.
"Depois que tomamos essa decisão, levei um tempo para me encontrar novamente, mas ainda estou aqui. Ainda tenho um pouco de tempo para digerir tudo isso, mas mal posso esperar para voltar a Roma. É um torneio especial para mim, mesmo que também seja muito difícil. Voltarei em um momento em que já haverá muita atenção sobre mim, e em Roma não é fácil", afirmou.
Mesmo ausente de importantes torneios,como Doha, Miami, Indian Wells e Madrid, Sinner não perdeu pontos no ranking e manteve o posto de número 1 do mundo. Ele também não perderá nenhum Grand Slam, já que voltará a tempo de disputar Roland Garros, em maio. Assim, sua principal preocupação será a reação dos outros tenistas ao retorno, já que foi alvo de duras críticas pelo curto período de suspensão.
"Não posso responder a essa pergunta porque não sei o que pode acontecer", disse Sinner. "Sei como as coisas aconteceram, sei que sou inocente. Tenho certeza de que tudo correrá bem, mesmo que no começo demore um pouco para recomeçar. Essas são perguntas que não sei como responder."