
A gestão de Ednaldo Rodrigues como presidente da CBF foi escrutinada pela revista Piauí. Matéria publicada na quinta-feira (3) aponta bastidores do seu mandato e as articulações para o dirigente se reeleger no comando da entidade. O texto também cita gastos milionários com parlamentares, figuras da classe artística e membros do Poder Judiciário pagos pela CBF.
A publicação indica que 49 pessoas sem conexões com a CBF tiveram gastos pagos pela Confederação. Os custos incluiriam diárias em hotéis cinco estrelas, voos em primeira classe e ingressos para partida da Seleção Brasileira durante o Mundial de 2022.
A gentileza teria custado R$ 43 milhões para a CBF. Os beneficiados são figuras de diversas áreas. Entre elas, políticos, pessoas influentes no sistema judiciário, empresários, jornalistas, entre outros. Familiares de Ednaldo também teriam usufruído dos benefícios.
Em contato com a reportagem de Zero Hora, a assessoria da CBF enviou o seguinte posicionamento:
"Não procede. O presidente Ednaldo Rodrigues pagou pessoalmente todas as despesas de seus familiares que viajaram para a Copa do Mundo do Catar."
Federações estaduais
Outra ação da gestão de Rodrigues à frente da CBF apontada por Piauí está ligada aos salários recebidos pelos presidentes das federações estaduais. Durante o mandato do dirigente, iniciado em 2021, o valor pago a eles saltou de R$ 50 mil para R$ 215 mil, com direito a 16º salário.
Em contato com a reportagem de Zero Hora, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Luciano Hocsman, disse não receber este valor e nem ter recebido qualquer tipo de promessa sobre o tema. A posição oficial da CBF sobre esta informação é a seguinte:
"Não procede. Remunerações dos presidentes de federações variam de acordo com suas atuações em vice-presidências e comissões de trabalho da confederação."
Reeleição de Ednaldo
Em 24 de março, Ednaldo foi reeleito presidente da CBF por aclamação. Ele recebeu todos os votos das 27 federações filiadas à entidade e dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro.
Entre casos relatados pela Piauí, a CBF teria pago a estadia em um hotel cinco estrelas em São Paulo para Roberto Góes, presidente da Federação Amapaense de Futebol e também vice-presidente da CBF. Passagens aéreas de Macapá até a capital paulista para o dirigente, a mulher, a irmã e a filha também estariam inclusas no pacote.
A razão seria a realização de uma cirurgia por parte da mulher de Góes, a advogada Gláucia Costa Oliveira. Durante o período de recuperação Góes teria pedido para ficar mais 10 dias em São Paulo. Os custos teriam sido autorizados por Ednaldo.
O custo teria sido R$ 114 mil pagos pela CBF. À Piauí, o presidente da CBF afirmou que “as despesas dos familiares dessas pessoas (presidentes de federações) são por elas pessoalmente bancadas”.
Como situação antagônica a estes custos, a publicação aponta que o pagamento de viagens aéreas e hospedagens pela CBF para a realização de um treinamento quinzenal de árbitros foi suspenso. A entidade alegou que devido ao orçamento, os treinamentos foram realizados na modalidade EAD.
A criação de um centro de treinamento para árbitros não saiu do papel. O custo estimado das duas ações era de R$ 60 milhões.
Questões judiciais
Entre outros pontos levantados pela reportagem aparece o pagamento de R$ 2,5 milhões a Gustavo Feijó por parte da CBF. Feijó foi rival de Ednaldo e apoiado por Flavio Zveiter como candidato à vice-presidência da entidade na campanha do filho do desembargador Luiz Zveiter à presidência da CBF.
O pagamento teria ocorrido durante o período em que Ednaldo esteve afastado da presidência devido a um litígio na Justiça.
Feijó teria desistido da eleição após o recebimento do suposto pagamento referente a uma ação contra a CBF em Alagoas. Ednaldo teria pago, também, R$ 10 milhões para contratar Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro, antiga advogada de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados e apoiador da eleição de Feijó. Atualmente ela é ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Casos de assédio
A ação trabalhista movida pela arquiteta Luísa Xavier da Silveira Rosa contra a CBF também é examinada pela reportagem da Piauí. Ela foi contratada para a construção de 14 centros de treinamento, previstos como contrapartida para a realização da Copa de 2014.
Ele teria pedido demissão para trabalhar na Fifa, mas teria sido impedida por Ednaldo. Ele nomeou Luísa como diretora de patrimônio, o que a tornou a primeira mulher na diretoria da entidade.
Porém, segundo a advogada dela, a medida foi apenas uma medida política para beneficiar a imagem externa da gestão. Porém teria sofrido “retaliações, esvaziamento de atribuições e todo tipo de humilhação”, além de receber um salário mais baixo do que o antecessor. Luísa acusa Ednaldo de assédio moral.
A arquiteta também moveu ações por assédio sexual contra o ex-diretor de comunicação Rodrigo Paiva Arnoldo de Oliveira Nazareth Filho, dirigente ligado à Federação Amazonense de Futebol.
Em resposta à revista, Paiva se defendeu dizendo que “minha trajetória profissional sempre foi marcada por incentivos à desconstrução da cultura do assédio presente no país, a fim de que as mulheres possam desfrutar de um ambiente de trabalho digno, igualitário e livre de discriminações.”
O dirigente do Amazonas não respondeu aos questionamentos da Piauí.
Seleção Brasileira sem técnico
Enquanto isso, a Seleção Brasileira está sem técnico desde 28 de março, quando Dorival Júnior foi demitido. A tendência é de que um técnico estrangeiro seja contratado.
Entre os mais cotados está o português Jorge Jesus. O podcast Deu Liga debateu o tema na edição desta semana, confira: