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Com as aulas da rede estadual do Rio Grande do Sul mantidas mesmo diante da previsão de altas temperaturas durante a terceira onda de calor, as coordenadorias regionais de educação (CREs) avaliam, caso a caso, as condições de manutenção das atividades nas escolas.
"As Coordenadorias Regionais de Educação têm autonomia para aprovar a readequação dos calendários letivos das escolas caso a estrutura da escola não comporte a manutenção das atividades escolares durante o período de altas temperaturas", afirma o documento enviado às escolas pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc) do RS na última sexta-feira (21). A informação foi confirmada pela pasta em coletiva de imprensa nesta terça-feira (25).
O texto traz orientações para a rede escolar sobre como proceder no cenário de calor extremo, estipulando cuidados ao realizar as atividades e guiando a atuação de equipes e coordenadorias (veja íntegra ao final).
Os coordenadores regionais devem analisar as situações específicas em escolas localizadas em municípios com aumento significativo de temperatura, observando as condições – como fornecimento de energia elétrica, disponibilidade de climatizadores, como ventiladores em funcionamento, fornecimento de água potável –, de modo a preservar o bem-estar e a segurança da comunidade escolar.
O documento ressalta que, na ausência de condições seguras para as atividades, a CRE deve comunicar a situação à Seduc e garantir que a informação sobre a suspensão das aulas e a previsão de retorno das atividades seja repassada à comunidade escolar.
Acompanhamento pelas CREs
De acordo com a Seduc, as coordenadorias regionais acompanham diretamente as escolas. O órgão informou à reportagem de Zero Hora que as instituições comunicam a comunidade escolar sobre eventuais mudanças nas atividades por e-mail, redes sociais e WhatsApp.
Quatro CREs — das regiões de São Luiz Gonzaga, Caxias do Sul, Santo Ângelo e Santana do Livramento — responderam ao contato da reportagem e reforçaram que têm orientado as escolas. Situações específicas são tratadas individualmente para atender às particularidades de cada realidade.
De modo geral, poucas escolas tiveram necessidade de alteração de funcionamento em função do calor, conforme as coordenadorias ouvidas.
— Por enquanto a gente tem seguido as orientações com relação à água, às atividades físicas, à alimentação, e não tivemos nada diferente por parte de nenhuma das nossas escolas — relata a coordenadora da CRE de Caxias do Sul, Cristina Boeira Fabris.
Na região de Santo Ângelo, foram repassadas informações pontuais para as escolas que não têm climatização total, informou a coordenadora Rosa Maria de Souza:
— Apenas duas escolas informaram que farão horário reduzido, além da realização das ações que foram orientadas.
Conforme o documento, as escolas devem utilizar os recursos financeiros do Agiliza/Autonomia Financeira para a preparação e adequação dos ambientes escolares, incluindo a aquisição de itens como garrafas de água mineral e/ou bebedouros, ventiladores para a climatização dos espaços, além de cortinas e protetores solares.
Confira as orientações para a comunidade escolar
O documento da Seduc endereçado às CREs e aos diretores de escola apresenta as seguintes recomendações:
Atividades escolares
- Se necessário, antecipar ou adiar o horário de entrada e saída para evitar os momentos mais quentes
- Durante períodos de calor extremo, as aulas de Educação Física devem ser ajustadas para garantir a segurança dos(as) estudantes. Sempre que possível, é recomendável realizá-las no início da manhã ou no final da tarde, priorizando locais cobertos ou sombreados
- As atividades físicas devem ser de menor intensidade, intercaladas com pausas para hidratação e descanso
- Os(as) professores (as) devem estar atentos a possíveis sinais de desidratação e insolação, garantindo atendimento imediato aos estudantes
- É essencial que os(as) estudantes utilizem roupas leves e garrafas individuais de água
- Caso as temperaturas estejam excessivamente altas, é recomendável substituir as atividades físicas por alternativas mais leves, como atividades teóricas, debates sobre saúde e esportes, jogos de tabuleiro ou brincadeiras calmas
- Em ambientes fechados, deve-se garantir ventilação adequada, e a escola deve monitorar a previsão do tempo para antecipar mudanças necessárias na programação
- As Matrizes de Referência para o ano letivo 2025 apresentam de forma transversal um conjunto de práticas pedagógicas que visam conscientizar e preparar os estudantes para compreender e enfrentar os desafios das mudanças climáticas
- A Educação Climática e a Justiça Ambiental são abordagens essenciais para desenvolver a consciência crítica e a responsabilidade socioambiental
- Essas diretrizes também fortalecem a Educação Socioemocional. São, portanto, um convite à resiliência e à reconstrução, com foco no desenvolvimento integral dos estudantes e na preparação para os desafios futuros
- As Escolas Técnicas que exercem práticas pedagógicas em ambiente externo ou práticas com exposição ao calor devem evitar os horários de pico, atentando-se às condições dos estudantes e, caso necessário, reorganizando o formato da aula para garantir o bem-estar dos estudantes
- É fundamental manter o diálogo com estudantes e responsáveis sobre os cuidados com a saúde no calor
- A escola deve se preparar para adaptar o planejamento sempre que necessário, assegurando um ambiente seguro para a prática esportiva. A conscientização sobre os impactos do calor no corpo humano deve ser reforçada, garantindo que todos(as) estejam informados(as) e protegidos(as) durante as aulas
Adaptação de ambientes escolares
- Sempre que possível, nos espaços de entrada e saída das escolas, direcionar estudantes, pais e/ou responsáveis para ambientes internos sem incidência de raios solares e fornecer pontos de hidratação
- Manter as salas de aula bem ventiladas, abrindo portas e janelas em horários em que os raios solares não estiverem intensos e utilizar persianas ou cortinas para reduzir a incidência solar
- Utilizar ventiladores, climatizadores ou aparelhos de ar-condicionado, se disponíveis
Alimentação escolar
- Durante os períodos de calor, é essencial redobrar os cuidados com a alimentação escolar, garantindo a saúde e o bem-estar dos alunos. A hidratação é um dos aspectos mais importantes, pois com o calor o corpo perde mais líquidos, o que pode causar desidratação. É fundamental que os estudantes tenham acesso constante a água potável durante todo o dia
- Uma dica é trazer de casa sua garrafinha para auxiliar no consumo de líquidos com maior frequência
- É importante incentivar o consumo de alimentos leves e frescos, como frutas e saladas, que ajudam a repor nutrientes sem sobrecarregar o organismo
- Alimentos pesados e gordurosos devem ser evitados, pois demandam mais energia para a digestão, aumentando o desconforto nos dias mais quentes
- Também é necessário ter cuidados especiais no armazenamento dos alimentos, especialmente os perecíveis, para evitar contaminação e deterioração. O armazenamento em locais refrigerados, como geladeiras e freezers, é indispensável para manter a qualidade e segurança dos alimentos
- Os alimentos devem ser preparados com higiene rigorosa, para prevenir a proliferação de bactérias e outros agentes patogênicos. O controle de temperatura dos alimentos prontos para consumo também é um cuidado fundamental
- No caso de refeições preparadas, a orientação é consumir o mais rápido possível após o preparo ou mantê-las em temperaturas adequadas até o momento da refeição
- A vigilância constante no ambiente escolar é essencial, visto que os dias quentes podem contribuir para o aumento de doenças alimentares. Dessa forma, a combinação de hidratação adequada, alimentação leve e cuidados com o armazenamento garante que os alunos possam aproveitar ao máximo sua rotina escolar, sem prejuízos à saúde
Bem-estar
- Recomendar o uso de roupas leves e frescas
- Observar sinais de mal-estar como fraqueza, pele avermelhada podendo indicar queimaduras, náuseas, irritabilidade, dificuldade de atenção, transpiração excessiva desmaios, tontura, fadiga e dor de cabeça
- Em casos de relatos de mal-estar, encaminhe para o serviço de saúde do seu município, Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de referência
- A equipe do Núcleo de Cuidado e Bem-estar Escolar da Seduc e das Coordenadorias Regionais está à disposição para orientar esses casos