
A Polícia Civil pretende concluir em até 30 dias a investigação sobre o caso da menina de nove anos que foi sequestrada e abusada em Tramandaí, no Litoral Norte. O homem apontado como responsável pelo crime, Marco Antônio Bocker Jacob, 61 anos, foi agredido até a morte pela população após o resgate da menina.
O desaparecimento da criança foi registrado por familiares junto à Brigada Militar (BM) às 19h de terça-feira (25). Após uma noite intensa de buscas pela comunidade, com divulgação nas redes sociais, uso de carro de som e análise de câmeras de monitoramento, o cativeiro foi descoberto por volta de 10h desta quarta-feira (26).
A criança estava dentro de um fosso localizado nos fundos da loja de conveniência pertencente ao suspeito, na Rua São Marcos, que fica em frente à Praça Castelo Branco, onde a menina brincava quando desapareceu. O homem teria atraído a vítima para dentro do local oferecendo-lhe um picolé.
Segundo o delegado Alexandre Souza, responsável pela investigação, o inquérito deve ser concluído sem a penalização do suspeito, em razão da extinção de punibilidade, uma vez que ele morreu. Souza diz também que, até o momento, Jacob era o único suspeito, mas que a polícia seguirá coletando depoimentos para obter mais detalhes sobre a dinâmica dos fatos.
— Vamos ouvir várias pessoas, familiares também, das duas famílias, tanto do autor quanto da vítima. Até o momento, nenhum familiar dele se apresentou. Serão juntadas imagens de câmeras de monitoramento ao inquérito e a perícia técnica — diz o delegado.
A polícia também aguarda os laudos periciais produzidos pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).
Vizinhos da loja de conveniência onde o crime aconteceu relataram que havia dois homens conversando com o suspeito na tarde de terça-feira, próximo do horário do desaparecimento da menina. Eles também afirmam que o homem tinha comportamentos suspeitos, oferecendo doces a crianças. Segundo o delegado, a menina teria dito a familiares que o homem estava sozinho no momento do crime.
— A gente vai apurar isso de uma maneira mais eficiente, com tempo agora. Mas isso não quer dizer que não possa vir a aparecer uma surpresa, um novo elemento nessa investigação e, aí sim, será penalizado — sublinha o delegado.
Uma segunda investigação também ocorre em paralelo, para tentar identificar os responsáveis pelo linchamento do homem.