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Sargento da Brigada Militar, Christian Pacheco foi um dos responsáveis pelo resgate da menina de nove anos que havia sido raptada em Tramandaí, no Litoral Norte, na terça-feira (25). Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta quinta-feira (27), ele detalhou como identificou o cativeiro, um alçapão no fundo da loja de conveniência de Marco Antônio Bocker Jacob, 61 anos, linchado por populares no local.
Pacheco estava acompanhado de um colega quando chegou ao estabelecimento na Rua São Marcos, no bairro Parque dos Presidentes. Ele conta que decidiu averiguar o local após um senhor contar que havia visto a menina entrar na loja, mas as imagens de câmeras de monitoramento não mostravam ela saindo.
— Eu estou olhando há 40 minutos as imagens e não vi ela sair — teria dito ao policial.
— Eu olhei meu colega e decidir ir. Quando ingressamos no estabelecimento, o criminoso começou a aumentar o volume do som. Pedimos para ele desligar, que queríamos conversar com ele — contou em entrevista ao Gaúcha Atualidade.
Na sequência, o suspeito foi para trás do balcão. Pacheco o acompanhou e solicitou documentos de identificação de Jacob, momento em que ouviu os gritos da menina.
— Fui atrás dele para pegar os documentos dele e ouvi os gritos da pequena: "Socorro, tô aqui atrás, socorro". Quando eu ingressei naquele estabelecimento, meu pensamento era: "A gente vai encontrar ela sem vida". Quando eu ouvi a voz dela, parece que renovou, sabe? Ela tá viva — admitiu o policial.
Pacheco conta que a voz da menina estava abafada, o que levantou a suspeita de que ela estaria presa em algum ponto do teto ou da parede. A tranquilidade da vítima para orientar os policiais sobre a localização do cativeiro chamou a atenção do sargento.
Neste momento, ele recorda que a única preocupação era saber a condição da menina. Conforme Pacheco, era impossível que a vítima conseguisse deixar o local sozinha.
— Nós conseguimos arredar aquelas caixas de cerveja (...) Era como se fosse uma tampa de bueiro, assim, de concreto. Não tinha como ela empurrar, era pesado, e ainda as caixas de garrafas com cerveja ali. Tinha cordas, esse local por dentro era pequenininho, tinha uns dois por dois (metros de dimensão).
Linchamento
O linchamento do suspeito, que será investigado pela Polícia Civil, ocorreu segundos após a menina ser retirada do cativeiro pelos policiais militares. Pacheco conta que um popular que havia ingressado no estabelecimento alertou as pessoas que estavam na rua no momento em que os primeiros gritos da menina foram ouvidos.
— Quando começamos a percorrer os fundos da casa, tinha populares ali na conveniência, um deles saiu e chamou os que estavam na rua (...) Nós fomos tentar sair do estabelecimento com ela, porém os populares, eram dezenas de pessoas, já haviam invadido o local no intuito de linchar o suspeito.
Com apoio de uma equipe à paisana do setor de inteligência da Brigada Militar, os policiais retiraram a menina do local em uma viatura discreta e a encaminharam para atendimento médico. Depois disso, dezenas de policiais foram acionados, inclusive a tropa de choque, para conter a população.