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A investigação da Polícia Civil indiciou cinco pessoas por participação no crime que resultou na morte do vereador Gerson Adriano da Silva, 52 anos. O político de Estrela, no Vale do Taquari, foi encontrado morto em janeiro, após desaparecer em Alvorada, na Região Metropolitana. A apuração aponta que ele foi vítima de latrocínio — quatro pessoas respondem pelo assalto com morte.
O vereador foi visto pela última vez em Estrela, por volta das 18h30min do dia 18 de janeiro, um sábado. Depois disso, teria seguido sozinho, no próprio carro, em direção à Região Metropolitana. A investigação concluiu que ele foi atraído por uma mulher até Alvorada, para um encontro. Os dois já tinham se encontrado anteriormente. No entanto, ao chegar ao local combinado, teria sido arrebatado pelos assaltantes: a mulher e outros dois homens.
O intuito inicialmente, segundo a polícia, seria obrigar o vereador a entregar valores por meio de Pix. Gersinho teria ficado cerca de três horas em poder dos criminosos — entre 21h40min e 0h08min. Nesse período, foi obrigado a realizar quatro transações em Pix, uma de R$ 1,6 mil, outra de R$ 1 mil e duas de menor valor, de R$ 687 e de R$ 127.
Ainda foram roubados R$ 900 em espécie que estavam com a vítima, materiais de engenharia, que usava em sua atividade profissional, um computador e o carro. O veículo de Gersinho, um Corsa, foi encontrado incendiado em Viamão.
A polícia concluiu, com base nas perícias, que a morte do político aconteceu de forma bastante violenta. O vereador tinha um ferimento nas costas e foi asfixiado.
— Ele teve os olhos vendados, a boca e o pescoço enlaçados pelo cinto de segurança que eles cortaram para fazer a asfixia mecânica. Havia ainda uma perfuração nas costas, que não foi a causa mortis, com um instrumento contundente. Foi bem profundo, provavelmente ele perdeu bastante sangue, e ficou enfraquecido, mas a causa da morte foi a asfixia — explica o delegado Márcio Moreno.
Indiciamento
Por esses crimes, a Polícia Civil indiciou dois homens e duas mulheres, por latrocínio, ocultação de cadáver, associação criminosa e incêndio doloso. Entre os indiciados, está um homem de 26 anos, preso em Alvorada, apontado como suspeito de ter executado o vereador, e a garota de programa que teria atraído o político até a Região Metropolitana.
Além destes quatro, há ainda um quinto investigado, também morador de Alvorada, que foi preso em janeiro e indiciado por outros crimes: receptação (havia pertences do vereador com ele), favorecimento pessoal e posse ilegal de arma de fogo. Os nomes dos indiciados não foram divulgados.
Ainda em janeiro, três pessoas foram presas por suspeita de participação no crime e permanecem em prisão preventiva. A mulher que teria atraído o vereador para a emboscada e um homem, que seria namorado dela, também tiveram prisão decretada, mas não foram localizados até o momento e estão foragidos. A suspeita é de que eles tenham fugido para outro Estado.
— A mulher que fez a emboscada era alguém com quem a vítima já tinha tido encontros pretéritos. Toda a prova leva no sentido de que ela participou do crime. Estava lá, auxiliando. A motivação foi patrimonial — diz o delegado.
A polícia vai averiguar ainda se eles cometeram outro crime, o de lavagem de dinheiro.
— Isso vai ser apurado num inquérito apartado. Há já materialidade nesse sentido. Mas isso vai ser mais trabalhado agora para o encaminhamento ao Judiciário — acrescenta Moreno.
A investigação
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Em razão de o sumiço ter acontecido na Grande Porto Alegre, a apuração passou a ser realizada de forma conjunta entre o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que possui uma delegacia especializada em desaparecimentos, e o Departamento de Polícia do Interior (DPI), com apoio da Brigada Militar.
— Foi uma investigação bastante complexa, mas conseguimos chegar à autoria. Fizemos as prisões e seguimos em busca dos dois foragidos — diz a delegada regional, Shana Hartz.
A investigação descobriu que os Pix tinham sido feitos da conta do vereador, por volta da meia-noite. O veículo de Gersinho, um Corsa, foi encontrado incendiado em Viamão. Documentos dele foram localizados no bairro Umbu, em Alvorada.
Naquele momento, a polícia ainda tinha expectativa de que pudesse encontrar o político com vida. Buscas passaram a ser realizadas em matagais na Região Metropolitana, com apoio do Corpo de Bombeiros e emprego de cães farejadores.
Na sexta-feira, dia 24 de janeiro, o corpo dele foi localizado numa área de mata, em Alvorada. No início da apuração a polícia trabalhava com duas linhas de investigação, uma delas envolvendo questões passionais ou mesmo políticas, e outra relacionada à extorsão mediante sequestro ou mesmo roubo.
Durante o trabalho investigativo, a polícia conseguiu rastrear as movimentações financeiras da vítima. A hipótese de latrocínio foi se confirmando a partir do momento em que a polícia começou a detalhar como se deu o crime. A possibilidade de motivação política foi totalmente descartada.