A Justiça do Rio Grande do Sul aceitou denúncia contra um padre acusado de estupro no Vale do Paranhana. A vítima que denunciou o crime sexual é um jovem que atuou como coroinha e secretário na paróquia onde o sacerdote era titular. O crime teria iniciado em 2013, quando o rapaz tinha 14 anos, e se estendido até 2019, quando ele se desligou da igreja. No ano passado, ele decidiu denunciar os abusos cometidos pelo padre durante esses anos. O nome do município e do réu não foram informados, pois o caso tramita em segredo de Justiça.
O Ministério Público (MP) do Estado, que ofereceu a denúncia por estupro de vulnerável e estupro em dezembro, confirmou o recebimento da acusação por parte da Justiça. No entanto, o órgão não forneceu mais detalhes sobre o processo em razão do sigilo.
Responsável pela condução do inquérito policial na época, o delegado Gustavo Menegazzo da Rocha afirma que os abusos teriam iniciado em uma viagem a trabalho do jovem com o sacerdote para ações da igreja no Litoral Norte. A partir disso, o padre teria usado sua influência na região para ameaçar a vítima contra uma possível denúncia. O jovem também informou que recebia presentes para manter essa condição.
— O padre teria, segundo a vítima, feito ameaças, dizendo que, se ele revelasse isso para alguém, a família dele sofreria um mal. Ele chegou a mencionar, inclusive, que era possuidor de uma arma de fogo, que ficava na casa de um outro funcionário da igreja. Essa arma acabou sendo apreendida por nós num momento posterior — explicou o delegado.
Mudanças de comportamento
Após o início dos abusos, o jovem apresentou mudanças de comportamento, tornando-se mais introspectivo, apresentado sinais de depressão e alterações de peso. A vítima também adotou o consumo de álcool e de cigarro, vícios que teriam sido influenciados pelo sacerdote, segundo o delegado.
O abuso foi interrompido apenas após a saída do rapaz da paróquia. Em seguida, o jovem procurou acompanhamento psicológico. Ele decidiu denunciar o caso em setembro do ano passado.
— Nós ouvimos a psicóloga desse rapaz e ela confirmou as características próprias de quem é abusado — destacou o delegado.
Em depoimento à polícia, o padre negou as acusações, mas entrou em contradição ao apresentar seu relato, segundo o delegado.
Contraponto
A Diocese de Novo Hamburgo, responsável pela paróquia onde o sacerdote atuava, informou que está “acompanhando o caso” e que o padre que virou réu está afastado, foi suspenso e substituído. A diocese também não confirma o nome do município e nem o do substituto, alegando o segredo de Justiça.