
O secretário da Segurança Pública, Cezar Schirmer, quer a regressão de regime para os responsáveis pelo incêndio que matou cinco pessoas em anexo à Penitenciária Estadual de Rio Grande na madrugada desta quinta-feira (5). A declaração foi dada durante cerimônia de posse dos novos oito secretários, no Palácio Piratini, nesta tarde. Para o secretário, os apenados devem ser penalizados com a regressão do regime semiaberto para fechado.
— É um absurdo premiar quem comete um crime, seja dentro do presídio ou fora. No caso, se alguns presos colocaram fogo no alojamento, primeiro, dano material. Segundo, o dano humano. Foram cinco presos que vieram a falecer. Então, se o objetivo foi o benefício, o tiro vai sair pela culatra. Não há nenhuma hipótese de a secretaria se submeter a esse tipo de chantagem e opressão dessa natureza. Pelo contrário, vamos responsabilizá-los e tomar energias enérgicas para que isso não se repita e para que os responsáveis sejam punidos de forma adequada — afirmou.
A declaração de Schirmer foi resposta após série de incêndios em presídios no Estado. Ao todo, foram cinco em 18 dias. Os outros ocorreram em Canoas, Carazinho, Osório e Dom Pedrito. Em Rio Grande, desde domingo, foram três tentativas dos presos em colocar fogo no local. Uma das principais suspeitas apontadas pelo secretário é de que os apenados estejam realizando a manobra para receber o benefício da saída provisória.
Só em Rio Grande, 145 apenados receberam saída temporária por sete dias em decorrência do incidente. Apenas oito dos 165 apenados que estavam no albergue ficaram retidos no local, outros sete foram encaminhados para a Santa Casa do município. Um teve alta durante a tarde.
O pensamento de Schirmer é compartilhado pelo superintendente da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Em entrevista ao programa Gaúcha +, Ângelo Carneiro disse que o Estado não pode permitir que apenados realizem este tipo de ação para conseguir o benefício.
— Os apenados não alcançarão o seu intento, que é de ganhar ou antecipar um benefício. Se ganharem, não conseguiremos barrar alguma nova ação. Não podemos permitir isso de forma alguma — declarou.
Para Carneiro, não se pode fazer relação entre as ações criminosas ocorridas em casas prisionais de regime fechado e regime semiaberto em decorrência dos objetivos dos presos. Ainda de acordo com o superintendente, revistas são realizadas nas penitenciárias para tentar coibir as ações. Seis teriam sido realizadas em instituições no interior do Estado. Outra medida é desarticular grupos retirando lideranças criminosas dos presídios de sua região de domicílio.
— Temos trabalhado com remoções de presos, tirar o preso da sua região, do seu meio para outras casas prisionais. Isso tem nos propiciado a desarticulação de muitas ações — avaliou.
E completou:
— A remoção de presos, e outras operações, servem para desarticular lideranças negativas. Identificamos e fizemos essas ações em conjunto.