Detentos do Presídio Regional de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, voltaram a fazer um churrasco no pátio do complexo neste domingo (31). Na semana passada, os presos das galerias A e B participaram de uma confraternização de Natal que teve quatro churrasqueiras, com mais de 40 espetos de carne.
O caso chamou a atenção do Ministério Público, que abriu um procedimento administrativo para investigar o churrasco.
Conforme o delegado penitenciário da 8ª Região, Bruno Carlos Pereira, desta vez participam mais de 100 detentos das galerias C e D, acompanhados de familiares. O churrasco ocorre em dia de visita e, por isso, se estendeu até as 17h.
— Tudo está dentro da normalidade, com segurança, como a gente previu — salientou o delegado penitenciário.
A realização desse segundo churrasco foi solicitada pela direção do presídio e autorizada pela Vara de Execuções Criminais (VEC) de Santa Cruz do Sul, na quinta-feira (28), segundo a Susepe.
A prática não é ilegal e muito menos incomum nas cadeias gaúchas, mas chama a atenção porque, há pouco mais de um mês, o local foi alvo de uma das maiores fugas da história do sistema prisional no Rio Grande do Sul. Em 17 de novembro, 26 detentos serraram a grade de uma cela, cortaram duas telas com alicate e escaparam, enquanto comparsas trocavam tiros com agentes penitenciários.
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Churrasco foi dividido em duas partes por logística e segurança
A Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) informou que a divisão do evento em duas turmas foi planejada previamente por motivos de logística e segurança.
De acordo com a Susepe, todos os alimentos que estão sendo utilizados para a realização do churrasco foram disponibilizados pelos familiares dos presos, que apresentarem nota fiscal dos produtos, como teria ocorrido no primeiro evento.
Já os utensílios utilizados nesse tipo de churrasco, como espetos e facas, são de propriedade da casa prisional e são contados no início e no término do evento, conforme a Susepe. O órgão garante que o efetivo de agentes penitenciários foi reforçado.
No primeiro churrasco, uma testemunha viu quando um carro com reboque entrou no presídio regional. Segundo ela, o motorista é integrante de uma facção de tráfico da Capital, mas não tem mandado de prisão contra ele.
— Entrou como se fosse um empresário fazendo doação. Descarregou uns cem quilos de carne, cem litros de refri e um monte de saco de carvão e participou do churrasco — conta.
Após "informações contraditórias" envolvendo a confraternização de Natal, o secretário estadual da Segurança, Cezar Schirmer, determinou, na terça-feira (26), a abertura de uma sindicância para apurar possíveis irregularidades no churrasco.