
Enquanto os postos de saúde de Porto Alegre estão à espera de reforma ou prédio novo, a prefeitura da Capital paga, há dois anos, R$ 2,5 mil ao mês pelo aluguel de uma casa que deveria abrigar o posto Panorama durante a reforma que nunca saiu. Neste período foram gastos mais de R$ 60 mil por um imóvel que está de portas fechadas e abandonado. O próprio dono do imóvel alugado, José Telmo Crestani, diz que lamenta que o prédio esteja apenas sendo usado como depósito de materiais da prefeitura. Ele reitera que a comunidade necessita de um posto de saúde com mais condições de dar conta da demanda.
Ao mesmo tempo, o posto pequeno, e ainda não reformado, que atende a população do bairro Lomba do Pinheiro também sofre de problemas estruturais. A médica de família que atende no local, Adriana Rojas, cita como exemplo a falta de mais banheiros, pois há somente um, a falta de consultórios médicos para atendimento e problemas na própria estrutura física do prédio.
Além disso, o valor que a prefeitura vem pagando de aluguel está acima de mercado. Levantamento feito pelo Sindicato dos Corretores de Imóveis do Rio Grande do Sul, a pedido da reportagem, mostra que o preço sugerido para locação no bairro é de R$ 1,8 mil. O secretário municipal de Saúde, Carlos Henrique Casartelli, admite o problema de gestão. Ele diz que houve uma mudança no processo licitatório e que a reforma deve sair até o fim do ano.
Na lista da prefeitura de postos em reforma não consta, contudo, o Panorama. O Conselho Municipal de Saúde encaminhou o caso para o Ministério Público. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, outros cinco postos estão em obras, uma reforma já foi entregue e um prédio foi concluído.