A Justiça de Canela condenou o padre Vanderlei Barcelos de Borba por assédio sexual contra uma adolescente de 16 anos. Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu entre junho de 2021 e fevereiro de 2022, nas dependências da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes — Catedral de Pedra. O religioso desempenhava a função de pároco, enquanto a jovem era secretária do local. Ele foi condenado, no começo deste mês, a pena de um ano, três meses e 29 dias de detenção, substituída pelo pagamento de cinco salários mínimos.
O caso corre em sigilo em função de envolver crime sexual, mas a reportagem teve acesso à sentença. Conforme o depoimento da jovem, atualmente com 19 anos, ela teria aceitado o convite do padre para trabalhar no local com o objetivo de juntar dinheiro para ingressar no Ensino Superior. Os assédios, segundo ela, teriam iniciado no quarto mês de trabalho, por volta de outubro de 2021, a partir de piadas e brincadeiras. Entretanto, tempo depois, conforme o relato, as investidas também teriam envolvido gestos e toques, além de elogios e convites para sair. A adolescente procurou a ajuda da mãe dela, que abordou e questionou Borba.
O padre, por sua vez, em depoimento, negou o assédio, disse que teria havido uma aproximação entre eles, admitiu que teriam ocorrido beijos e que tinha consciência da idade da vítima à época.
Na decisão, a juíza Simone Chalela destaca que a vítima apresentava fortes indícios de trauma emocional e que é clara a situação de assédio sexual diante de a vítima ter recebido investidas de um superior hierárquico, ou seja, o padre Vanderlei Barcelos de Borba, responsável pela secretaria paroquial.
Além disso, reforça que, embora o religioso tenha afirmado que não usou de violência para se favorecer sexualmente da jovem, "é evidente que seu cargo e sua função religiosa, por si só, já eram capazes de constranger a vítima, de modo que visivelmente abusou de seu cargo para constrangê-la".
O padre foi condenado a pena de um ano, três meses e 29 dias de detenção, substituída pelo pagamento de cinco salários mínimos. Ele poderá recorrer em liberdade.
A Diocese de Novo Hamburgo, que abrange a Paróquia Nossa Senhora, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que "ainda não tem como se pronunciar a respeito do assunto pois o processo está em segredo de Justiça. Neste sentido, a Diocese vai esperar os advogados darem o seu parecer a respeito da sentença".