Com expectativa de recuperar as vendas do ano, que já não estavam boas, os lojistas de Caxias fizeram estoques de peças de frio no inverno do ano passado. Resultado: as temperaturas não baixaram muito, o cenário econômico seguiu incerto e as liquidações tiveram que nortear a estação toda. Receosos, os comerciantes decidiram não repetir a estratégia nesse ano, até porque o setor já acumula prejuízos de 23% somente em 2015.
A cautela dos lojistas, porém, pode se reverter em falta de peças de inverno para os consumidores, no caso do frio aparecer com força. A avaliação é de Carlos Graça de Araújo, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e Malharias da Região Nordeste do Estado (Fitemasul).
- As malharias estão com bem poucos pedidos esse ano. O movimento em centros de pronta-entrega também está baixo. Se o frio vier com tudo, vai faltar malha, porque os lojistas não compraram e, por consequência, a indústria está produzindo menos - conta.
Se o ritmo de comercialização continuar assim, a tendência é que as vendas de inverno das malharias sejam 10% menores do que no ano passado, avalia Araújo.
A concorrência com as peças importadas juntamente com a retração no consumo têm feito muitas malharias fecharem as portas na Serra gaúcha nos últimos anos. A entidade não têm números oficiais de fechamentos, mas Araújo ressalta que só está sobrevivendo quem conseguiu "agregar valor ao produto".
- Está ainda no mercado quem apostou em serviços diferenciados, investiu em equipamentos novos, sofisticou seus produtos. Quem não criou diferenciais, teve que fechar as portas - conta.
Um exemplo de malharia que investiu em inovação é a Zanatta, de Caxias. Há cerca de 45 anos no mercado de malhas masculinas, a empresa ampliou mercado neste ano e estreou também na moda feminina, conta o diretor Ruberlei Zanatta.
Outra aposta da malharia é investir em maquinários de peças mais leves. As malhas finas, explica Zanatta, costumam ter mais saída.
- Assim a gente não depende tanto do frio. Claro que o clima segue sendo um fator relevante, mas quanto mais a gente conseguir fugir dessa dependência, melhor - ensina.
