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O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu na última quinta-feira trecho da minirreforma eleitoral que permitia doações ocultas em campanhas eleitorais - feitas anonimamente a partidos e repassadas a candidatos sem a demonstração de origem dos recursos. A Ação Direta de Inconstitucionalidade foi ajuizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que alegou violação do princípio da transparência e do princípio da moralidade, favorecendo a corrupção e dificultando o rastreamento das doações. Como o financiamento de campanhas tem sido o foco principal da corrupção no país, a decisão do STF precisa ser celebrada.
O novo regramento, que já vale para as eleições municipais do próximo ano, seria desnecessário se o Congresso não tivesse insistido nessa brecha e se a presidente da República não a tivesse sancionado. Por pressão da própria sociedade, contribuições direcionadas às legendas, que não permitem identificar a ligação direta entre doador e político beneficiado, haviam sido vetadas em 2014, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Graças à decisão, que o Congresso suspendeu temporariamente neste ano, os brasileiros foram às urnas nas últimas eleições, pela primeira vez, com uma noção clara da origem de todas as doações de empresas a partidos políticos. O mínimo a que todo eleitor tem direito é saber qual o interesse de quem contribui financeiramente para um determinado partido político ou candidato.
Muitos dos casos de corrupção pelos quais os brasileiros vêm arcando com os custos só ocorreram pela insistência dos próprios políticos em legalizar dinheiro secreto, que circula na clandestinidade.