O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas condenou, nesta quarta-feira (2), a violação por parte de Israel da trégua com o Hamas em Gaza e exigiu que o país assuma sua responsabilidade para evitar "um genocídio" no território palestino.
O principal órgão de defesa dos direitos humanos da ONU adotou uma resolução com uma longa série de pedidos a Israel, incluindo o de "levantar seu bloqueio ilegal" contra Gaza.
O texto expressa "uma profunda preocupação com as declarações de autoridades israelenses que parecem constituir uma incitação ao genocídio, e exige que Israel respeite sua responsabilidade legal de prevenir o genocídio".
Adotado por 27 dos 47 membros do Conselho, com quatro votos contra e 16 abstenções, a resolução lamenta "a violação por parte de Israel do acordo de cessar-fogo".
A votação do texto, proposto pela maioria dos membros da Organização para a Cooperação Islâmica, ocorreu após Israel retomar, em 18 de março, seus bombardeios em Gaza após uma trégua de quase dois meses.
A resolução reivindica "assistência humanitária sem obstáculos e o restabelecimento urgente de produtos essenciais para a população palestina da Faixa de Gaza".
Também denuncia "o uso da fome (...) como método de guerra" e chama todos os países a "tomarem medidas imediatas para impedir a continuidade do deslocamento forçado de palestinos dentro ou fora da Faixa de Gaza".
Israel boicota o Conselho, ao qual acusa de parcialidade, e não esteve presente durante a votação.
Rejeita categoricamente as reiteradas acusações de "genocídio" desde que a guerra em Gaza começou após o ataque do movimento islamista palestino Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.
Alemanha, República Tcheca, Etiópia e Macedônia do Norte votaram contra a resolução.
* AFP