Os preços do petróleo fecharam em leve alta nesta quinta-feira (27) em meio a incertezas no cenário geopolítico e comercial.
O preço do barril de Brent do Mar do Norte para entrega em maio subiu 0,33%, chegando a 74,03 dólares.
Enquanto isso, o barril de West Texas Intermediate para entrega no mesmo mês aumentou 0,39%, atingindo 69,92 dólares.
"Estão se desenvolvendo eventos geopolíticos contraditórios neste momento", resumiu à AFP Robert Yawger, da Mizuho USA.
Os Estados Unidos "fecharam acordos com a Ucrânia e a Rússia para desativar os ataques contra infraestruturas energéticas", o que pressiona os preços para baixo, segundo John Plassard, analista da Mirabaud.
No entanto, Ucrânia e Rússia se acusaram mutuamente nesta quinta-feira de terem violado esse frágil acordo.
Por outro lado, "há preocupações sobre a destruição da demanda devido às tarifas" dos Estados Unidos, segundo Yawger.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou no início de março a implementação, a partir de 2 de abril, de tarifas chamadas "recíprocas" para países que comercializam com os Estados Unidos.
Essas tarifas visam tributar produtos estrangeiros que entram nos Estados Unidos no mesmo nível que os produtos americanos exportados para esses países.
Trump também anunciou na quarta-feira tarifas adicionais de 25% sobre automóveis que não sejam fabricados nos Estados Unidos, com início em 2 de abril.
Embora o aumento de tarifas e sanções a terceiros países possa impulsionar os preços do petróleo a curto prazo, "quando freiam o crescimento, também afetam a demanda por petróleo", e, consequentemente, os preços caem, explicou Arne Lohmann Rasmussen, analista da Global Risk Management.
Além disso, "138 mil barris por dia da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados [Opep+], em breve, estarão no mercado", aponta Yawger.
Em abril, o grupo adicionará esse volume diário ao mercado.
"Tudo isso ocorre em um mercado que a Agência Internacional de Energia (AIE) considera excedente em 600 mil barris por dia", lembrou o analista da Mizuho USA.
* AFP