Cinquenta e seis ex-reféns israelenses na Faixa de Gaza pediram ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que aplique "na íntegra" o cessar-fogo com o Hamas para permitir a libertação do restante dos sequestrados.
"Nós, que vivemos o inferno, sabemos que o retorno da guerra ameaça a vida daqueles que deixamos para trás", escrevem os israelenses libertados do território palestino em uma carta publicada no Instagram na sexta-feira (7).
"Aplique o acordo na íntegra, de uma só vez", pedem a Netanyahu, referindo-se ao acordo de cessar-fogo em vigor desde 19 de fevereiro na Faixa de Gaza.
Entre os signatários está Yarden Bibas, cuja esposa Shiri e seus dois filhos, Kfir e Ariel, mortos em cativeiro, se tornaram o símbolo da tragédia dos reféns.
"A guerra não trará os reféns de volta, os matará. Apenas um acordo que os traga todos de volta de uma vez os trará de volta", declarou Einav Zangauker durante a manifestação semanal do Fórum de Famílias de Reféns em Tel Aviv.
Zangauker acusou Netanyahu de sabotar as negociações e usar seu filho, Matan, "e os outros reféns como peões em seu tabuleiro político".
O Hamas divulgou na sexta-feira um vídeo em que aparece um refém israelense vivo, Matan Angrest, preso em Gaza desde o ataque do movimento islamista palestino no sul de Israel em 7 de outubro de 2023.
Das 251 pessoas sequestradas, 58 continuam retidas em Gaza e 34 foram declaradas mortas pelo exército israelense.
A primeira fase da trégua, que terminou em 1º de março, permitiu a libertação de 33 reféns, entre eles oito falecidos, em troca de cerca de 1.800 prisioneiros palestinos.
Em novembro de 2023, 105 reféns já haviam sido libertados em virtude de uma trégua de alguns dias, em troca de 240 prisioneiros palestinos.
Hamas e Israel divergem sobre o futuro da trégua.
Israel quer uma extensão da primeira fase até meados de abril e exige a "desmilitarização total" do território, a saída do Hamas de Gaza, assim como o retorno dos últimos reféns.
O Hamas exige a aplicação da segunda fase do acordo que deveria levar a um cessar-fogo permanente, e insiste em permanecer em Gaza, que governa desde 2007.
* AFP