
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, nomeou a sua esposa, Rosario Murillo, comandante do Exército nicaraguense, na terça-feira (25).
Um projeto de lei, aprovado em caráter geral pela Assembleia Nacional controlada pela Frente Sandinista, no poder, estabelece que "o Exército da Nicarágua está sob o comando da Presidência da República como Comandante Supremo".
Uma reforma constitucional, em vigor desde fevereiro, estipulou que Ortega e Murillo dividiriam a presidência da Nicarágua, tornando-a copresidente em vez de vice-presidente.
Rosario assumirá oficialmente o comando militar assim que a lei for processada e publicada no Diário Oficial.
Além disso, o Exército assumirá algumas funções policiais, de acordo com esta reforma do Código de Organização, Jurisdição e Segurança Militar.
O Exército deve "cooperar com a Polícia Nacional na luta contra o tráfico de drogas, o crime organizado e atividades relacionadas", de acordo com as instruções presidenciais, afirma o projeto de lei.
Ortega
Ortega, um ex-guerrilheiro de 79 anos que governou a Nicarágua na década de 1980 após o triunfo da revolução sandinista, está no poder desde 2007 e seus críticos o acusam de estabelecer uma "ditadura familiar" junto a sua esposa.
Seu governo intensificou a repressão após os protestos de 2018, que deixaram mais de 300 mortos, segundo a ONU, e foram considerados por Manágua como uma tentativa de golpe patrocinada por Washington.
Com a reforma da Constituição, Ortega e Murillo consolidaram seu poder absoluto na Nicarágua, pois controlavam formalmente todos os poderes do Estado e da sociedade civil.
A reforma constitucional também estabeleceu a "vigilância" sobre a imprensa e a Igreja, e a retirada da nacionalidade nicaraguense daqueles que o governo considera "traidores da pátria", como fez com cerca de 450 críticos e opositores expulsos do país nos últimos anos.
A nova lei militar também estabelece que aqueles que se juntam às fileiras do exército devem fazer um "juramento de lealdade" diante da bandeira azul e branca da Nicarágua e da bandeira vermelha e preta da Frente Sandinista.