Cientistas italianos revelaram nesta quinta-feira (27) como o cérebro de um homem ficou transformado em vidro, muito provavelmente devido a uma nuvem de cinzas vulcânicas há quase dois mil anos.
No ano 79 da era cristã, a erupção do Vesúvio envolveu as antigas cidades de Pompeia e Herculano sob uma espessa camada de rochas, gases e cinzas ardentes, no que é conhecido como um fluxo piroclástico ou nuvem ardente.
O corpo de uma das vítimas, um jovem de cerca de 20 anos descoberto carbonizado sobre uma cama de madeira em Herculano, tinha algo diferente, explicou o antropólogo italiano Pier Paolo Petrone.
Quando o cientista o examinou, viu "algo brilhante no crânio quebrado", disse à AFP o coautor do estudo publicado na Scientific Reports, e descobriu que os restos do cérebro haviam sido transformados em fragmentos de vidro negro.
Segundo o vulcanólogo Guido Giordano, coautor do estudo, tratam-se de fragmentos de até um centímetro de largura, nos quais as redes complexas de neurônios são claramente visíveis no vidro, "algo surpreendente e realmente inesperado".
A descoberta intriga os cientistas porque o vidro raramente aparece de forma natural na natureza e, para se formar, necessita de uma temperatura muito elevada seguida de um resfriamento muito rápido.
Por isso, o cérebro do jovem romano é "o único exemplo na Terra" de um tecido animal transformado em vidro, segundo o estudo.
A principal hipótese é que ele tenha sido exposto a uma temperatura superior a 510°C e depois resfriado rapidamente.
O "único cenário possível" é que o Vesúvio tenha expelido uma primeira nuvem de cinzas ardentes, que teria se dissipado rapidamente. Uma teoria corroborada pela presença de uma fina camada de cinzas que cobriu a cidade antes de ser sepultada pelo fluxo piroclástico.
* AFP