O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, se mostrou favorável nesta segunda-feira (15) à participação da Rússia em uma segunda cúpula de paz, depois de mais de dois anos de guerra entre os dois países.
"Acredito que os representantes russos deveriam participar desta segunda cúpula", disse o presidente ucraniano em uma coletiva de imprensa em Kiev, acrescentando que espera que um "plano" para essa reunião esteja pronto em novembro.
O mandatário ucraniano não mencionou o fim das hostilidades, mas o estabelecimento de um plano sobre três temas: a segurança energética da Ucrânia - cuja infraestrutura foi devastada pelos bombardeios russos -, a livre navegação no mar Negro e a troca de prisioneiros.
A Rússia ainda ocupa cerca de 20% do território ucraniano e as perspectivas de um cessar-fogo, e mesmo de uma paz duradoura entre Kiev e Moscou, são mínimas nesta fase, após quase dois anos e meio do ataque russo em grande escala.
Entretanto, é a primeira vez que Zelensky levanta a ideia de negociações com a Rússia sem a retirada prévia de suas tropas do território ucraniano.
No passado, o presidente da Ucrânia havia afirmado que não queria negociar com Moscou enquanto Vladimir Putin estivesse no poder. Também chegou a firmar um decreto que tornava ilegais as negociações com a Rússia.
Kiev afirma regularmente querer recuperar todos os territórios ocupados pelos invasores russos, incluindo a península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014.
A condição essencial para a Ucrânia antes de qualquer discussão de paz é a retirada total das forças russas em solo ucraniano, quase 700 mil soldados, segundo números apresentados por Putin.
O presidente russo, que atacou a Ucrânia em fevereiro de 2022, reiterou em múltiplas ocasiões que suas "condições" são o abandono das quatro regiões - cuja anexação Moscou reivindica além da Crimeia - e a garantia de que Kiev renuncie à adesão à Otan.
Estas exigências foram rejeitadas por Kiev e seus aliados ocidentais.
Uma primeira cúpula sobre a paz na Ucrânia ocorreu em meados de junho na Suíça. Centenas de países estiveram representados, mas a Rússia não foi convidada e a China, aliada diplomática e econômica de Moscou, decidiu não participar.
Em 2022, Kiev havia proposto um plano de paz com 10 tópicos, apoiado pelo Ocidente, que implicava a retirada incondicional das forças russas do território ucraniano. Esta sugestão foi rejeitada por Moscou.
* AFP