O líder do grupo Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, em uma gravação atribuída a ele e difundida nesta quinta-feira (28), chama seus combatentes na Síria e no Iraque a "resistir" aos inimigos.
"Os chefes do Estado Islâmico e seus soldados se deram conta de que, para obter a graça de Deus e a vitória, precisam ser pacientes e resistir diante dos infiéis, sejam quais forem suas alianças", afirmou o líder do EI na declaração, cuja data não foi informada.
O áudio foi divulgado pela Al-Furqan, a "produtora" do EI, que distribui as gravações e vídeos da organização extremista.
"O que importa não é o número, o equipamento e a força" dos adversários, garante o chefe do EI, dado como morto várias vezes desde a ascensão fulgurante do grupo em 2014, embora esses rumores não tenham sido confirmados.
Ele atacou as "nações infiéis e, em primeiro lugar, os Estados Unidos, a Rússia e o Irã", que conduzem com seus aliados ofensivas contra o grupo ultrarradical, infligindo uma série de derrotas na Síria e no Iraque.
A última manifestação de Abu Bakr al-Baghdadi transmitida por um veículo de comunicação afiliado ao seu grupo data de novembro de 2016. Na ocasião, ele saiu de um ano de silêncio para incentivar, em uma gravação sonora, seus homens a resistir até o martírio à ofensiva das forças iraquianas lançada em outubro para recuperar o controle da cidade de Mossul.
Em 16 de junho, a Rússia declarou que provavelmente havia matado Abu Bakr al-Baghdadi, em um ataque aéreo, no final de maio, perto da cidade síria de Raqa. Contudo, o país indicou que continuava a investigar a informação.
O líder do EI teria deixado Mossul no início de 2017, provavelmente na direção da fronteira com a Síria. Os Estados Unidos ofereceram US$ 25 milhões (cerca de R$ 79,6 milhões) por sua captura.
Seus seguidores o chamam de "fantasma", em razão de suas raríssimas aparições.
Foi em Mossul que ele fez sua única aparição pública conhecida, em julho de 2014, na mesquita Al-Nuri, destruída em junho com seu minarete pelo EI. Com a barba grisalha, usando turbante e vestimenta preta, ele havia pedido a todos os muçulmanos que lhe jurassem lealdade depois de ter sido designado à frente do califado proclamado por seu grupo nos territórios conquistados no Iraque e na Síria.
Hoje, seu "califado", criado em 2014, vacila diante das ofensivas militares, mas seu grupo mantém uma grande capacidade de organizar ataques sangrentos em todo o mundo.