
Responsável por atender 1,8 milhão de clientes no Rio Grande do Sul, a CEEE Equatorial foi a pior distribuidora de energia elétrica do país em 2024. A classificação foi divulgada nesta quarta-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O indicador de desempenho da concessionária é o pior da série histórica desde o início da publicação do ranking, em 2011.
Por sua vez, a RGE, que tem cerca de 3 milhões de clientes no Estado, caiu seis posições e ficou 15º lugar (empatada com outras duas) entre as 31 distribuidoras de grande porte.
A qualidade das concessionárias é medida pelo Desempenho Global de Continuidade (DGC). O indicador considera duas variáveis: o tempo médio em que cada unidade consumidora ficou sem luz e quantas vezes houve desabastecimento no ano. Quanto menor o DGC, melhor o atendimento da concessionária.
Em 2024, o índice da CEEE Equatorial fechou em 1,76, o pior entre as 31 distribuidoras avaliadas. Para efeitos de comparação, a 30ª colocada foi Equatorial Goiás, com 1,19.
De acordo com a Aneel, a avaliação contempla o período entre janeiro e dezembro de 2024 e não considera eventos climáticos extremos.
Em 2023, a pontuação da CEEE havia marcado 1,63. Na ocasião, a companhia registrou a penúltima posição do ranking, que tinha 29 companhias.
Se considerados os últimos sete anos, em cinco a CEEE ocupou o último lugar no ranking das concessionárias. As exceções são 2018 e 2023, quando ficou na penúltima colocação.
RGE também piora
Outra concessionária com atuação no RS, a RGE fechou o ano de 2024 com DGC de 0,74, no 15º lugar entre 31 empresas de grande porte. Em 2023, o índice foi de 0,69, levando a distribuidora à nona colocação.
Pelo quarto ano consecutivo, a melhor distribuidora de energia do Brasil foi a CPFL Santa Cruz, que atua em São Paulo, que apresentou DGC de 0,58.
Ranking de Continuidade das Distribuidoras de 2024
Classificação considera empresas de grande porte, com mais de 400 mil unidades consumidoras.
- 1º CPFL Santa Cruz – DGC: 0,58
- 2º EPB– DGC: 0,62
- 2º ERO – DGC: 0,62
- 4º Neoenergia Cosern– DGC: 0,63
- 5º ESS – DGC: 0,64
- 6º CPFL Paulista – DGC: 0,67
- 6º EDP ES– DGC: 0,67
- 6º Equatorial PA – DGC: 0,67
- 6º ETO – DGC: 0,67
- 10º EMT– DGC: 0,68
- 11º CPFL Piratininga – DGC: 0,69
- 11º EMR – DGC: 0,69
- 13º Neoenergia Coelba – DGC: 0,71
- 14º Neonergia Elektro – DGC: 0,72
- 15º EDP SP – DGC: 0,74
- 15º EMS – DGC: 0,74
- 15º RGE – DGC: 0,74
- 18º ESE– DGC: 0,75
- 18º Neoenergia Brasília – DGC: 0,75
- 20º Neoenergia Pernambuco – DGC: 0,77
- 21º Enel SP – DGC: 0,80
- 21º Equatorial PI – DGC: 0,80
- 21º Light Sesa – DGC: 0,80
- 24º Enel CE – DGC: 0,82
- 24º Equatorial MA – DGC: 0,82
- 26º Celesc – DGC: 0,85
- 27º Enel RJ – DGC: 0,86
- 28° Cemig – DGC: 0,91
- 29° Copel – DGC: 0,92
- 30° Equatorial GO– DGC: 1,19
- 31º CEEE Equatorial – DGC: 1,76
*Fonte: Aneel
O que é o DGC
O indicador é elaborado a partir de dois valores apurados pela Aneel. São eles:
- Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) – tempo que, em média, cada unidade consumidora ficou sem energia elétrica
- Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC) – número de interrupções ocorridas
O que dizem as companhias
A reportagem solicitou entrevista com um representante da CEEE Equatorial, mas a companhia informou que se manifestará por meio de nota. O espaço segue aberto para manifestação.
A RGE, por sua vez, disse que "apesar de ter enfrentado a maior catástrofe climática da história em sua área de concessão, manteve sua performance de qualidade no atendimento aos seus clientes".
Leia a nota da RGE na íntegra:
"A RGE destaca que apesar de ter enfrentado a maior catástrofe climática da história em sua área de concessão, a empresa manteve sua performance de qualidade no atendimento aos seus clientes.
Mesmo com esses impactos, a RGE foi eleita a melhor distribuidora de energia da Região Sul do país pelo Prêmio ANEEL de Satisfação do Consumidor 2024, reconhecimento concedido com base na avaliação de clientes sobre a qualidade dos serviços prestados pelas concessionárias.
A RGE informa que vem executando investimentos contínuos na rede elétrica de sua área de concessão, tornando-a mais robusta e preparada para as mudanças climáticas e os eventos extremos. Em 2024, a empresa investiu R$ 1,8 bilhão. No ciclo 2025-2029 serão investidos outros R$ 9,3 bilhões.
As obras e melhorias decorrentes desses investimentos vem impactando positivamente nos principais indicadores do setor elétrico, que são o DEC (Duração Equivalente de Consumo) e o FEC (Frequência Equivalente de Consumo). A RGE tem indicadores menores que a média nacional - DEC de 9,09 (enquanto a média do Brasil é 10,24) e FEC de 4,42 (enquanto a média do Brasil é 4,89) e o melhor desempenho do estado nesses indicadores."