Desde o início de dezembro, oito municípios gaúchos decretaram situação de emergência em virtude da falta de chuva e consequente estiagem. As localidades são Tupanciretã, Cerro Grande, Pinhal, Manoel Viana, Júlio de Castilhos, São Pedro das Missões, São Gabriel e Herval. Há relatos de famílias sem abastecimento de água, principalmente no interior dos municípios, e também de prejuízos na agricultura, especialmente nas plantações de soja, milho e arroz, e na pecuária.
Outros quatros municípios também registram problemas: Santa Maria, Redentora, Palmitinho e Agudo. Neste último, além das dificuldades na agricultura e pecuária, pelo menos 150 pessoas necessitam do abastecimento de água com caminhão-pipa, especialmente em áreas do interior.
Na terça-feira (20), São Gabriel, na Fronteira Oeste, decretou emergência. Desde novembro a Defesa Civil local afirma que percorre o interior do município para levar água potável. Nos últimos dias, mais 30 famílias entraram na lista, totalizando 195 famílias e 800 pessoas atendidas nos últimos 40 dias. Conforme o coordenador regional da Defesa Civil, Jacob Pinton, os municípios de Quevedos e Toropi, ambos na na Região Central, já sinalizaram que devem emitir o decreto nos próximos dias.
Conforme o coordenador municipal de Defesa Civil e secretário de Segurança e Cidadania de São Gabriel, Antônio Vitor Teixeira, os prejuízos na agricultura já chegam a R$ 60 milhões, atingindo especialmente a soja e o milho.
— Estamos trabalhando em toda a tramitação burocrática das etapas necessárias para a homologação da Situação de Emergência, e socorrendo aquelas comunidades rurais atingidas por essa seca — afirma Teixeira.
As primeiras cidades a decretarem emergência foram Tupanciretã, na Região Central, no dia 1º, e Pinhal, na Região Norte, no dia 9. Ambas tiveram os decretos reconhecidos pelo governo do Rio Grande do Sul. Tupanciretã também já recebeu o aceite da União.
Em Santa Maria, embora ainda não tenha sido decretada a situação de emergência, atualmente, 109 pontos em nove distritos e quatro bairros do município precisam de abastecimento por caminhão-pipa. São 177 famílias e 677 pessoas que dependem dessa ajuda para garantir água em casa e também para a criação de animais. Os dados são referentes aos meses de novembro e dezembro, e seguem crescendo ao longo dos dias, segundo a prefeitura local. Equipes da Defesa Civil afirmam que mais de 400 mil de litros de água já foram entregues somente em dezembro.
Conforme o superintendente da defesa civil local, Adão Lemos, o município deve publicar decreto nos próximos dias:
— Estamos nos preparando para a decretar situação de emergência, pois já preenchemos alguns requisitos necessários. Isso deve ser feito na próxima semana ou, no máximo, na primeira semana de janeiro. Estamos trabalhando incessantemente para mitigar os impactos dos efeitos da estiagem na vida das pessoas, principalmente aquelas que não têm outra forma de obter água se não com o auxílio da Defesa Civil.
De acordo com a Emater, há registro de prejuízo financeiro a produtores de milho e soja, mas ainda é cedo para avaliar perdas significativas, em nível estadual, já que ainda há tempo para o plantio.
— Há impactos em relação ao milho. Sobre a soja, podemos dizer que é um momento desconfortável. Mas é ainda muito cedo para falarmos em perdas — avalia o diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri.