
O juiz Sergio Moro, da 13ª vara federal de Curitiba, negou nesta segunda-feira um pedido do ex-ministro José Dirceu, que pretendia ter acesso ao conteúdo da delação premiada do operador de propinas Milton Pascowitch. No decorrer das investigações da operação Lava-Jato, foram identificados pagamentos de grandes quantias da empresa de Pascowitch à JD Consultoria, de propriedade de Dirceu. Conforme apontamento das diligências policiais, não havia motivação aparente, ou mesmo prestação de serviço, que justificasse as transferências. Na delação, o operador confirmou que se tratava, ao menos em parte, de pagamento de propina por contratos na Petrobras.
- (Dirceu) Recentemente tomou conhecimento, por meio da imprensa, que Milton Pascowitch, investigado na mesma operação, teria celebrado acordo de colaboração premiada e que, em depoimento prestado às autoridades encarregadas das investigações, teria citado o nome do peticionário como um dos destinatários de valores supostamente oriundos da prática de crimes - escreveu Roberto Podval, advogado de Dirceu, embasando a solicitação de abertura do conteúdo da delação.
- Observo que o acordo e os termos dos depoimentos prestados por Milton Pascowitch ainda estão sob sigilo, indispensável no momento para a eficácia das diligências investigativas em curso a partir dele - sentenciou Moro, negando o acesso a Dirceu.
A defesa de Dirceu já havia ingressado com um pedido de habeas corpus preventivo, na tentativa de garantir que o seu cliente não seria preso no decorrer da operação Lava-Jato. Na semana passada, a solicitação também foi rejeitada no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de segunda instância.