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É possível que poucas pessoas no Estado conheçam o Grupo JPLP, mas ninguém ignora duas das marcas sob esse guarda-chuvas: galeteria Mamma Mia e chocolates Caracol. O grupo ainda tem os restaurantes El Fuego, Mamma Pasta e Parador Lago Negro.
Marta Sfredo: ampliação do Iguatemi atrasa e fica para abril de 2016
O nome do grupo vem de Julinho Cavichioni, sua mulher, Patrícia, e os filhos Lorenzo e Pablo. O empresário de Gramado, que começou nos negócios aos 16 anos, emancipado pelos pais, sabe que o momento é delicado, mas está pensando é no futuro: as nove galeterias devem ser reforçadas por outras cinco em 2016, a maioria em shoppings, entre os quais o Iguatemi, e uma no centro de Porto Alegre. As 37 lojas da Caracol devem chegar a 55, muitas em quiosques de aeroportos.
- Converso muito com Guilherme Paulus (ex-CVC, investidor em hotelaria em Gramado), e ele sempre diz que temos de tirar o "s" da crise. Quando tudo vai bem, é fácil. A crise ajuda a separar o joio do trigo - diz Cavichioni.
Aos 6 anos, lavoura própria
Mais novo de sete irmãos, quando a família morava em Linha Ávila, interior de Gramado, aos seis anos costumava ajudar na lavoura, mas plantava o "seu" milho, os "seus" pés de tabaco.
- Queria fazer diferente - diz.
Aos oito, brincava com chaves de luz como se fossem calculadoras, porque "achava o máximo os caixas dos supermercados". Aos 11, com a família já na cidade, abriu, com pá e picareta, um buraco sob a casa para instalar um armazém. Para abrir a "sua" galeteria, no local onde funcionava uma pizzaria que costumava frequentar com a namorada, foi emancipado pelos pais.
Galeto sem excessos
A origem dos frequentadores em Gramado deu o rumo da expansão da Mamma Mia: Porto Alegre. Não correu tudo como imaginava. Contratou uma empresa para rever todo o modelo de negócios, e criou a franquia. Em alguns pontos, é franqueado de si mesmo, com ex-funcionários como sócios operadores, porque exige 'umbigo no balcão'.
- As galeterias competiam para ver qual servia mais coisas. Fomos pelo outro lado: fazer menos, com mais qualidade e em um ambiente agradável. Toda a comida é fresca - assegura.
Chocolate de verdade
Em 2001, quando comprou a Caracol (foto acima), fundada na década de 1980, Cavichioni foi para a Bélgica, país de referência de chocolate de qualidade. Hoje são 37 lojas: 20 licenciadas, 12 franqueadas e cinco próprias.
Diz que reinventou o negócio: "não fazemos chocolate caseiro, fazemos artesanal". Lamenta que a lei brasileira admita o mínimo de 25% de cacau na composição para caracterizar chocolate, e usa ao menos 36%. O empresário confessa que já se deslumbrou com o sucesso, mas seu foco está em seguir investindo:
- O grande negócio ainda está por vir.
Não dá muitas pistas, mas avisa que é algo para 2020. Com ou sem crise.
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